O caso da morte da adolescente Vitória Regina, de 17 anos, em Cajamar, São Paulo, completou um ano neste mês de fevereiro, e o “Domingo Espetacular”, neste domingo (22/2), trouxe novos desdobramentos. Segundo o jornalístico, um perito da Polícia Científica teria sofrido pressão para manipular laudos. O único suspeito do assassinato é Maicol Sales dos Santos, que está preso desde março.
Há um ano, Vitória Regina voltava do trabalho e enviou uma mensagem a uma amiga revelando que dois homens a seguiam. Depois disso, não fez mais contato e desapareceu. Nove dias depois, seu corpo foi encontrado em uma área de mata.
Veja as fotosAbrir em tela cheia Vitória ReginaReprodução Antes de ser assassinada pelo ex-namorado, Vitória Regina sofreu perseguição constante nas redes sociais; saiba como se prevenirReprodução: Instagram/Internet/Montagem Vitória Regina Sousa, vítima morta em fevereiroReprodução
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O único suspeito é Maicol Sales dos Santos, que morava na mesma região e teria passado pelo local no horário em que Vitória chegaria em casa. A perícia encontrou manchas de sangue no carro e na casa dele, além de fotos dela e de meninas parecidas em seu celular.
Segundo a defesa, as provas teriam sido manipuladas para incriminá-lo. Até então, o serralheiro não tinha passagens pela polícia. Conforme relatório da Polícia Civil do Estado, Maicol seria um stalker. Seu celular foi apreendido pela Guarda Civil Municipal de Cajamar e passou por perícia particular. O profissional apontou que arquivos teriam sido inseridos e apagados do aparelho enquanto o suspeito já estava preso.
No dia 10 de março, peritos estiveram na casa apontada como sendo de Maicol, onde não foram encontrados vestígios de sangue. No dia seguinte, a equipe foi trocada de última hora. Um novo grupo afirmou ter encontrado sangue em pontos que já haviam sido analisados. O perito substituído relatou que sofreu pressão para fraudar laudos.
Diante da situação, o profissional pediu proteção e denunciou supostas irregularidades na investigação. Em um dos trechos, escreveu: “Com relação ao laudo pericial, que se refere a uma solicitação de exame pericial complementar na casa do investigado Maicol, meu nome aparece indevidamente. Em nenhum momento fiz essa solicitação.”
O documento citado é o laudo anexado ao inquérito policial. A página informa que as equipes retornaram à casa do investigado no dia 11 de março, a pedido do perito, e lá encontraram vestígios de sangue na porta do banheiro. O perito reafirmou que desconhece as informações do laudo.
O profissional, que trabalha há mais de 30 anos na Polícia Científica, também afirmou que um escrivão pediu para que constasse no laudo do carro de Maicol que os bancos do veículo teriam sido trocados. A mensagem foi apagada, mas o escrivão declarou: “Se puder constar, seria importante.” O perito respondeu: “Não tenho como constar, pois preciso da prova de que foram trocados.”
Ele levou a denúncia à diretoria do Núcleo de Perícias Criminalísticas e ao sindicato da categoria. Por medo, não quis gravar entrevista. O escrivão citado não estava na delegacia no momento da gravação da reportagem.
No relatório final, a polícia concluiu que o material encontrado no banheiro da casa do suspeito, réu por feminicídio, sequestro qualificado e fraude processual, não era sangue humano. Quando foi preso, ele confessou o crime. O vídeo do depoimento foi entregue pela polícia, mas com vários cortes. Na prisão, escreveu uma carta afirmando que foi forçado por policiais a assumir o crime. A Justiça anulou a confissão.
O advogado de defesa afirmou que o delegado, durante a madrugada, convocou outro advogado e o destituiu do processo. “Foi quando soubemos que houve uma confissão no dia seguinte pela TV. Também nesse ato, o secretário de Segurança Pública estava presente e fez perguntas ao nosso cliente. Algo totalmente descabido”, alegou.
Surge, então, outro personagem: Leandro Morette Arantes, secretário de Segurança Pública de Cajamar, responsável pela GCM. Ele esteve na confissão de Maicol na delegacia, mesmo sem função formal na Polícia Civil de São Paulo. À Justiça, o delegado do caso, Fábio Senat, disse não se lembrar da presença dele durante os depoimentos.
A Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo informou que a Polícia Civil de Cajamar concluiu o inquérito que comprova a dinâmica do crime e que a Justiça acolheu integralmente a denúncia contra o autor. Outro inquérito foi aberto para investigar a ocultação de cadáver e aguarda análise de material genético para esclarecimento dos fatos. A pasta ressaltou que o trabalho foi conduzido com rigor técnico e transparência.
Já o Ministério Público de São Paulo afirmou que não houve irregularidades e que as alegações partem da defesa de Maicol. Disse também que tais afirmações não possuem respaldo nas provas produzidas nos autos.
A Prefeitura de Cajamar reiterou que toda a investigação foi conduzida pela Polícia Civil e que o secretário de Segurança, Leandro, não teve contato com o acusado. Reforçou que todo o depoimento foi conduzido única e exclusivamente pelo delegado responsável pelo caso.
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