O início de 2026 marca um período de transformação para o cantor e compositor Lucas Morato. Entre shows nos fins de semana, composições realizadas e reuniões estratégicas, o cantor acaba de lançar “Do Jeito Que Eu Tô”, prepara a gravação de um novo audiovisual e aguarda a chegada do primeiro filho, Pedro Lucas. Em meio a essa fase intensa, ele resumiu o momento com franqueza: “Eu tô apostando tudo, sinceramente, em mim”, disse em entrevista ao portal LeoDias.
A música lançada no último dia 5 de fevereiro mergulha na dor de um amor que ainda não cicatrizou completamente. A letra aborda o desconforto de ver alguém seguir a vida após o fim de um relacionamento; sentimento que, segundo o cantor, é mais comum do que se imagina. “São baques, situações que você não está preparado para passar. Ver uma pessoa com outro alguém. Quando termina um relacionamento, mesmo querendo, a gente quer saber, sentir que a pessoa ainda gosta da gente. Não que a gente queira voltar, mas saber que existe um ressentimento, alguma coisa que vai durar por ali, pra que nada disso seja resumido a nada. Então, eu gostei muito dessa música. Ela pega nesse ponto que é esse sentimento, essa dor de cotovelo, de ver a pessoa seguindo a vida”, explicou.
Veja as fotosAbrir em tela cheia Lucas MoratoFoto: Grabriel Nathan Lucas MoratoFoto: Grabriel Nathan Lucas MoratoFoto: Grabriel Nathan Faixa “Do Jeito que Eu Tô”, de Lucas MoratoDivulgação: Lucas Morato Péricles ao lado dos filhos, Lucas Morato e Maria HelenaFoto: @talitaciardifotografia
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Embora admita já ter vivido situações parecidas, Lucas reforça que o palco é também um espaço de interpretação. “O palco é uma cena, um cenário, um teatro. É uma parada ali que a gente quer mais que a pessoa sinta a emoção do que a gente transmite na música. A gente tá contando a história de alguém. Não necessariamente a gente tá contando a nossa história. E como compositor, eu tento fazer isso cada vez melhor”.
Independência e novos rumos
Mais do que um lançamento isolado, “Do Jeito Que Eu Tô” simboliza uma virada. Lucas vive um momento de autonomia profissional, com uma nova gestão e decisões tomadas com mais protagonismo. “Antes a gente ficava muito dependente de outras pessoas, de um líder no nosso trabalho e hoje eu consigo me ver líder do meu trabalho e tomando boas decisões”, afirmou. O próximo passo já está no papel: a gravação de um DVD, marcada para o dia 14 de abril. O projeto contará com participações escolhidas, ainda em segredo. “Eu tô chamando as participações porque eu sou fã. Não tem tanto a ver com o quão fortes são os nomes que eu vou chamar, mas tem a ver com o quanto isso representa pra mim. O quanto eu queria cantar com eles ou o quanto eu queria vê-los cantando as minhas músicas”, disse.
Ao longo da trajetória, Lucas garante não se arrepender de escolhas musicais, mas relembra um episódio que quase mudou o rumo da sua história. A música “Ao Teu Lado”, composição 100% autoral, ficou de fora de um projeto anterior para dar lugar a “Fomos um Casal de Inveja”. A decisão, inicialmente frustrante, acabou rendendo um dos maiores sucessos da sua carreira, posteriormente gravado também por Ferrugem. “Na escolha de repertório, todo mundo optou por tirar ela para colocar uma outra música. E eu fiquei muito, muito, muito contrariado. Eu não queria que eles tirassem a minha música. É uma história que eu vou contar pra sempre. Por querer tanto uma música minha, 100% minha no meu trabalho, eu quase perdi um dos maiores sucessos da minha vida”, relembrou, com carinho.
Amor como protagonista
Se há um fio condutor em sua discografia, é o amor! Lucas acredita que o pagode romântico dos anos 2000 voltou com força entre o público jovem e que o sentimento nunca deixou de ser central. “Falar de amor nunca saiu de moda. Acho que a maneira como fala… E quem tá falando muda. Nos últimos anos, eu sempre cantei, faço shows praticamente todos os finais de semana, mas mudar minha vida mesmo foi o ato de escrever sobre o amor e as suas diversas formas”, pontuou. Ele citou como referências grupos como Jeito Moleque, Inimigos da HP e Exaltasamba, que marcaram sua formação musical.
O próprio repertório inclui canções que exploram diferentes perspectivas afetivas, inclusive uma composição dedicada ao pai, o gigante do pagode, Péricles. “Toda música fala de amor por alguém, ou algum amor que você não tem mais, ou um amor por alguma coisa, seja ele por um relacionamento. Eu fiz uma música que fala de amor por meu pai, de uma maneira diferente. O amor é sempre o protagonista das músicas”.
Expectativa, ansiedade e amadurecimento
Nos bastidores, porém, a trajetória também teve desafios. Um dos momentos mais delicados foi lidar com expectativas que nem sempre se converteram em resultados concretos. “Eu acho que o mais difícil da minha carreira é a expectativa. Eu fiquei muito tempo esperando um lugar, um status pra minha carreira que eu vi ser possível, muito próximo a mim. Acabou meu nome, Lucas Morato, ficando famoso, muito associado ao nome do meu pai. E a expectativa era tão grande quanto. Então, acho que um dos momentos mais difíceis foi isso. A gestão da minha carreira não corresponder às minhas expectativas”, revelou. Para ele, a mudança de postura, ou seja, assumir o controle das decisões, foi determinante para atravessar essa fase.
Hoje, com a chegada de Pedro Lucas, o olhar está voltado para o futuro. O cantor afirmou que deseja oferecer ao filho estabilidade e tempo para escolher seus próprios caminhos. “Eu tô apostando tudo, sinceramente, em mim. Tudo que me resta pra que isso renda futuramente alguma coisa; mesmo que seja a longo prazo, mas que renda alguma coisa pro Pedro Lucas. Pra que ele não passe nenhum pingo de necessidade, que ele não fique vulnerável a ponto de ter que tomar decisões ruins, como as que eu tomei, por causa de desespero”, disse com franqueza o cantor.
A relação com Péricles e o rótulo de “nepo baby”
Filho de Péricles, Lucas cresceu acompanhando de perto a rotina de um dos grandes nomes do pagode brasileiro. Ainda assim, ele prefere que sua trajetória seja analisada a partir do próprio trabalho. Sobre o rótulo de “nepo baby”, admite que a primeira reação foi negativa, mas hoje encara o termo com mais naturalidade; desde que não anule seu mérito. “Eu só não quero que o ‘nepo baby’ tire todo o meu critério, todo o prestígio, todo o mérito, na verdade. Mas eu acho que assim como tem a comparação de que eu não valho o melhor, meu produto não vale o quanto o produto do meu pai vale. Isso é muito chato”, argumentou.
Ele também criticou a percepção de que não precisaria trabalhar ou que estaria financeiramente confortável por causa do pai. “Tipo: ‘O pai dele resolveu essa parada pra ele’. Então, tudo que eu tô fazendo parece que é por opção e não também por necessidade, não também por ser meu ofício. Eu acho que é uma das coisas, é um dos descréditos que eu mais odeio, de fato”. Mais do que comparação, Lucas diz ter deixado para trás o medo de errar que o paralisou por anos. “Eu sempre tive muito medo de errar e pra não errar, eu não fazia”.
Lucas Morato começou a tocar ainda na adolescência e hoje soma mais de 15 anos de carreira, construindo seu nome com lançamentos próprios e presença assídua nos palcos e plataformas de música. Atualmente, se firma cada vez mais como artista independente, com projetos pessoais e um público fiel.