Impostos do futebol mudam e colocam clubes tradicionais em desvantagem. Entenda!

Impostos do futebol mudam e colocam clubes tradicionais em desvantagem. Entenda!

A reforma tributária em discussão no país introduz alterações relevantes na forma como clubes de futebol serão taxados nos próximos anos. Com o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a trechos do texto-base da emenda constitucional, ficou mantida a diferenciação entre clubes associativos e Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs), criando cenários distintos de arrecadação e planejamento financeiro para cada modelo.

Pelas regras definidas após os vetos, os clubes associativos passarão a recolher 15,5% sobre a receita bruta em impostos, enquanto as SAFs terão carga tributária de 6%. As novas alíquotas entram em vigor a partir de 1º de janeiro de 2027, com um período de transição que se estende até 2032.

Veja as fotosAbrir em tela cheia Corinthians vence o Flamengo por 1 a 0 e conquista a Supercopa do BrasilReprodução/GE Corinthians vence o Flamengo por 1 a 0 e conquista a Supercopa do BrasilReprodução/GETV Em meio à crise política, o São Paulo recebeu o Flamengo e venceu.Rubens Chiri/São Paulo O atual campeão brasileiro estreou com derrota.Adriano Fontes/Flamengo

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Vetos mantêm diferenciação entre modelos
Durante a tramitação da reforma, o texto original previa uma alíquota de 8,5% para as SAFs. Após articulações envolvendo parlamentares, dirigentes de clubes e a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), o percentual foi reduzido para 4%. Na reta final, parlamentares ligados ao Flamengo articularam a inclusão de um dispositivo que igualava a tributação entre associações e SAFs. O trecho, assim como outros pontos relacionados ao tema, foi vetado pelo presidente.

Com isso, permanece a diferenciação entre os modelos. Atualmente, clubes associativos contam com isenções relevantes, pagando cerca de 5% ao INSS sobre receitas específicas, como bilheteria. Já as SAFs recolhem 5% nos primeiros cinco anos de atividade (já incluída a contribuição previdenciária) e 4% a partir do sexto ano.

Impacto financeiro e ajustes internos
Após a definição do novo cenário, o Flamengo divulgou um estudo interno estimando que deverá pagar cerca de R$ 746 milhões em impostos ao longo dos próximos oito anos. No mesmo período, a projeção aponta que as SAFs terão um custo aproximadamente R$ 473 milhões menor.

Diante desse impacto, a diretoria rubro-negra iniciou um plano de contenção de despesas. A previsão é de uma redução de R$ 16 milhões já em 2026, com foco principalmente nos esportes olímpicos. A estratégia do clube é preservar o investimento no futebol profissional e evitar a transformação em SAF.

SAF como caminho natural para alguns clubes
Clube-empresa desde a fundação, o Cuiabá avalia que a nova tributação reforça a migração para o modelo de SAF como uma consequência natural do novo ambiente econômico. Ainda assim, o clube demonstra cautela em relação a possíveis mudanças futuras.

“Com a mudança na tributação das associações, muitos clubes que convivem em situação financeira delicada serão forçados a se tornarem SAF em um movimento natural visando melhora financeira e profissionalização”, afirmou Cristiano Dresch, presidente do Cuiabá, ao portal LeoDias Esportes.

Ele também alerta para riscos adicionais: “Por outro lado, um novo aumento tarifário das SAFs seria prejudicial ao futebol, principalmente porque os altos impostos inviabilizariam o investimento no esporte”.

Especialistas apontam tendência de profissionalização
O avanço do modelo empresarial no futebol brasileiro já é perceptível. Segundo Moisés Assayag, sócio-diretor da Channel Associados e especialista em finanças no esporte, o número de clubes que aderiram às SAFs cresceu rapidamente nos últimos anos.

“Em quatro anos, o país saltou de zero para mais de 100 clubes que adotaram o modelo de SAF, o que mostra que o mercado reagiu positivamente ao novo formato”, explica.

Para ele, a reforma tributária indica uma leitura clara do governo sobre o futuro do setor: “A nova reforma tributária deixa claro que o governo enxerga as SAFs como o futuro do futebol, entretanto o desenvolvimento do esporte passa por modernização e profissionalização, independentemente do modelo adotado”.

Disputa política segue no Congresso
Paralelamente às mudanças fiscais, o Flamengo já articula uma reação política. O clube atua para tentar derrubar os vetos presidenciais e restabelecer a igualdade tributária entre associações e SAFs por meio da iniciativa “Amigo do Esporte”, que busca apoio no Congresso Nacional.

A longo prazo, a intenção da diretoria rubro-negra é reduzir a alíquota dos clubes associativos para um patamar inferior ao das SAFs ou, em cenário mais extremo, zerar a tributação. Enquanto o debate avança, a reforma tributária redesenha o equilíbrio econômico do futebol brasileiro e impõe decisões estratégicas que devem marcar o futuro dos clubes nos próximos anos.

Categories: ENTRETENIMENTO
Tags: ESPORTESFlamengofutebol brasileiroImpostos no futebolLulaPOLÍTICA