“Uma flor remete a mulher, porque a mulher é frágil, igual uma flor, então a gente tem que ter todo cuidado com ela”, é o pensamento de J. N., mulher em situação de privação de liberdade, em cumpirmento de sentença, na Divisão de Estabelecimento Penal Feminino de Rio Branco. Ela é uma das sete mulheres que trabalham no viveiro da unidade prisional.
O estabelecimento penal desenvolve atividades, com foco no trabalho, para ajudar na reintegração social de mulheres privadas de liberdade. No viveiro, elas aprendem a plantar e cuidar das plantas.
Além de poder remir pena, os conhecimentos adquiridos no ofício de jardinagem contribuem para a vida da participante após a saída do sistema prisional. J. N. é mãe de três crianças e afirma que o trabalho na jardinagem ajuda a diminuir a ansiedade desencadeada por pensar na família: “é um tempo que a gente gasta aqui, distrai mais a nossa mente nesse lugar, é muito satisfatório”.
A chefe da Divisão de Estabelecimento Penal Feminino de Rio Branco, Jamília Silva, explica que além da remição de pena, as atividades no viveiro trazem um ambiente melhor para todos, detentas e policiais, no sistema prisional: “No momento em que elas estão trabalhando com terra, estão plantando, trabalha a ansiedade delas. As flores transformam o nosso ambiente. A unidade prisional feminina é um ambiente muito aconchegante, no momento que você adentra pelos portões, você vê as flores, você tira o peso do sistema carcerário”.
A rotina das mulheres que trabalham com a jardinagem começa às 8h, elas são responsáveis por plantar, regar, adubar e cuidar de todas as plantas da unidade prisional. Pausam para o almoço às 11h30 e retornam ao trabalho às 13h30, encerrando o dia às 16h30.
A policial penal Luciana Tavares, responsável pela parte de trabalho e remição, ressalta os impactos na vida das internas ao ter a oportunidade de trabalhar: “Quando a gente dá uma oportunidade para o trabalho, elas mudam o comportamento, começam a aceitar conselhos, começam a melhorar a forma de conviver com outras pessoas e passam a ver isso aqui como uma oportunidade de uma vida diferente lá fora. Algumas a gente conseguiu mudar completamente”.
Via Secom