Mata Atlântica se torna modelo global de recuperação ambiental e desenvolvimento sustentável

Foto: Forêt Mata Atlantica – ©edsongrandisoli/Getty Images Plus

A Mata Atlântica, um dos biomas mais devastados do país, tem se tornado exemplo de restauração ambiental no Brasil e no mundo. Iniciativas desenvolvidas nos últimos anos mostram que é possível recuperar áreas degradadas com eficiência, gerar renda e ainda fortalecer a economia sustentável.

Na Bahia, um projeto de restauração florestal conseguiu reduzir em até 50% o tempo de crescimento das espécies nativas. A estratégia começou em 2014, com a coleta e o mapeamento de árvores matrizes — indivíduos com maior potencial genético de conservação e adaptação.

O trabalho, conduzido pela empresa Symbiosis, resultou na recuperação de mil hectares por meio da seleção genética de 45 espécies nativas, como jacarandá, jequitibá, ipês e angicos. Muitas das árvores escolhidas são centenárias e sobreviveram ao intenso processo histórico de exploração do bioma, carregando características adaptadas às condições ambientais.

Brasília (DF), 20/02/2026 – Primeira fase de crescimento das mudas no viveiro em área sombreada. Estratégias de reflorestamento da Mata Atlântica. Foto: Symbiosis/Divugação – Symbiosis/Divugação

Além da seleção genética, o projeto priorizou a variabilidade das espécies plantadas, evitando a homogeneização das novas florestas e aumentando a resistência às mudanças climáticas.

Originalmente, a Mata Atlântica ocupava cerca de 130 milhões de hectares do território nacional. Hoje, restam apenas 24% da cobertura original — e somente 12,4% correspondem a florestas maduras e bem preservadas, distribuídas em fragmentos espalhados por 17 estados.

Essa fragmentação reduz a diversidade genética e torna as espécies mais vulneráveis a eventos extremos, como secas prolongadas e mudanças climáticas. A perda de biodiversidade também afeta diretamente a população, já que compromete serviços essenciais como abastecimento de água, qualidade do ar, regulação do clima e produtividade agrícola.

Diante desse cenário, a restauração florestal deixou de ser vista apenas como ação ambiental e passou a ser encarada como oportunidade de negócio. Empresas privadas têm investido em modelos que permitem manejo sustentável, exploração controlada de madeira, produção de óleos e essências, além do sequestro de carbono.

Projetos também têm sido desenvolvidos para proteger mananciais que abastecem hidrelétricas, garantindo mais segurança hídrica e reduzindo riscos em períodos de estiagem ou chuvas intensas.

Brasília (DF), 20/02/2026 – Mudas enxertadas de material genético selecionado. Estratégias de reflorestamento da Mata Atlântica. Foto: Symbiosis/Divugação – Symbiosis/Divugação

Um dos principais marcos desse movimento é o Pacto pela Restauração da Mata Atlântica, criado em 2009 com a meta de recuperar 15 milhões de hectares até 2050. A iniciativa reúne empresas, governos e organizações da sociedade civil.

Entre 1993 e 2022, cerca de 4,9 milhões de hectares entraram em processo de regeneração natural. No entanto, 1,1 milhão de hectares voltaram a ser desmatados no mesmo período, o que demonstra que os desafios ainda são grandes.

Especialistas apontam que é preciso ampliar políticas públicas de incentivo, como pagamento por serviços ambientais e estímulos econômicos para proprietários rurais, já que 90% do território da Mata Atlântica está em áreas privadas.

Apesar dos obstáculos, o potencial social é significativo. A estimativa é que, a cada dois campos de futebol restaurados, seja possível gerar um emprego. Caso a meta de 15 milhões de hectares seja alcançada, o impacto na geração de renda e no desenvolvimento sustentável poderá ser expressivo.

Hoje, a Mata Atlântica é considerada um dos principais exemplos globais de restauração ambiental, mostrando que é possível transformar um bioma historicamente degradado em referência de recuperação e inovação sustentável.

Informações via Agência Brasil.
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