Uma moradora identificada apenas como Maria Eduarda procurou a reportagem para denunciar uma situação que, segundo ela, já dura anos e tem transformado a rotina de sua família em um cenário de medo, sofrimento emocional e sensação de abandono pelo poder público.
De acordo com o relato, a família convive diariamente com vizinhos que alugam uma casa próxima e utilizam caixas de som em volume elevado praticamente todos os dias, em qualquer horário. Mesmo após diversas ligações para a polícia e registros de ocorrências, o problema nunca é resolvido de forma definitiva.
“Quando a viatura está chegando, eles abaixam o som. Assim que a polícia vai embora, ligam de novo e ainda começam a xingar e ameaçar a gente”, contou.
Na residência vivem pessoas consideradas vulneráveis: a mãe, que enfrenta depressão e ansiedade; dois irmãos menores, sendo um com diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA) e outro com suspeita; além da própria denunciante, que possui laudo médico comprovando perda auditiva em um dos ouvidos.
Segundo Maria Eduarda, além do barulho constante, a família sofre ataques verbais frequentes. “Chamam a gente de doidos, dizem que o autismo dos meus irmãos é teatro, mandam a gente tomar remédio e falam que, se estamos incomodados, é para se mudar”, relatou.
A situação teria se agravado há cerca de sete meses, quando a mãe da denunciante foi agredida fisicamente por uma das vizinhas, com um soco no rosto. Maria afirma que tentou registrar boletim de ocorrência, mas a delegacia teria se recusado a formalizar o caso sob a justificativa de que já havia passado muito tempo desde a agressão.
Além disso, os vizinhos, conforme o relato, fazem ameaças constantes, dizendo pertencer a facções criminosas e prometendo atacar a família na rua.
“Vivemos com medo dentro da nossa própria casa. A gente não tem paz nem para dormir”, desabafou.
Ainda segundo a moradora, o proprietário do imóvel onde os vizinhos residem não toma providências, enquanto a polícia, em algumas ocasiões, teria minimizado o problema, alegando que o equipamento de som seria pequeno.
A família afirma se sentir desamparada e sem alternativas.
“Saímos da zona rural buscando uma vida melhor, mas hoje não conseguimos viver em paz nem dentro da nossa casa. Só queremos silêncio, respeito e segurança”, disse.
Diante da gravidade das denúncias, o caso pode envolver perturbação do sossego, ameaça, injúria e possível agressão física, situações previstas na legislação brasileira. A família pede que as autoridades competentes apurem os fatos e garantam proteção.
A denunciante reforça o apelo: “Sozinhos não estamos mais conseguindo suportar. Só queremos ajuda”.