Na coluna de segunda-feira (09), elogiei o “BBB 26”. E mantenho o que disse: o jogo engrenou, o elenco está entregando e o público voltou a se envolver. Mas — e sempre existe um “mas” — nem tudo são flores na casa mais vigiada do Brasil. Nos últimos dias, a produção conseguiu algo raro: tirar o foco do jogo e colocar holofote na própria condução do programa, que está sendo acusado de manipulação. O último erro foi a péssima dinâmica do Sincerão: chata, longa e sem propósito.
O começo de tudo foi a prova para divulgar a transmissão da NFL. A dinâmica já tinha gerado estranhamento, mas o que realmente pegou foi a condução. Jonas tentou burlar as regras em prol do próprio grupo mais de uma vez. A produção interveio pontualmente, mas a sensação foi de que faltou firmeza. Em um reality desse porte, regra é regra — e precisa ser aplicada com clareza e consequência. Quando a intervenção parece tímida, abre-se espaço para questionamentos. E a internet, claro, não perdoa.
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Depois veio o Big Fone tocando “do nada”, em uma dinâmica que ninguém — nem público, nem participantes — sabia exatamente como funcionaria. Surpresa para jogador é ótima, mas surpresa para o público é perigosa.
O mesmo valeu para o “Sincerinho” especial de sexta-feira (06). A ideia de quebrar a rotina pode ser interessante, mas o público precisa entender o que está em jogo. Quando a audiência não sabe a regra do jogo, ela começa a suspeitar do resultado. E aí nasce a palavra que nenhum reality gosta de ouvir: manipulação.
Para completar, o Sincerão desta segunda-feira conseguiu ser o oposto do que prometia. No paredão mais forte até aqui, o programa entregou uma dinâmica longa, morna e sem grandes consequências práticas. Quem foi escolhido pelo público praticamente não ganhou nada de relevante no jogo, o que esvaziou o peso da votação. Em contrapartida, outros participantes acabaram mais beneficiados. O resultado? Sensação de falta de propósito.
Não é que o programa tenha “virado uma bagunça”. O elenco continua forte e comprometido; e isso sustenta o “BBB”. Mas a produção precisa entender uma coisa básica: inovação não pode significar improviso. O público aceita surpresa. O que ele não aceita é falta de transparência.
E quando a audiência começa a achar que as regras mudam no meio do caminho, a credibilidade entra em risco. O “BBB” sempre foi um jogo de estratégia, mas também de confiança. Confiança de que todo mundo — inclusive quem está do lado de fora — sabe qual é o tabuleiro.
O “BBB 26” estava numa crescente. Ainda dá tempo de corrigir a rota. Mas é bom lembrar: quando a discussão sai dos jogadores e vai para a produção, algo está fora do lugar.