Tem novela que a gente assiste por hábito. E tem novela que a gente assiste porque faz bem. “Coração Acelerado” definitivamente entra na segunda categoria. Leve, musical, alto astral, com romance, humor e personagens que abraçam o público, a trama entrega exatamente aquilo que se espera do horário das sete: entretenimento com energia lá em cima e coração quentinho. E isso não acontece por acaso.
A novela carrega marcas muito claras de suas autoras. De um lado, Izabel de Oliveira, que escreveu “Cheias de Charme”, um dos maiores acertos populares da faixa. Do outro, Maria Helena Nascimento, criadora de “Rock Story”, que também apostava forte na música como elemento narrativo. O DNA está todo ali: ritmo ágil, trilha pulsando junto com a história e personagens que não têm medo de viver intensamente.
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Se a novela funciona como conjunto, ela brilha ainda mais quando a câmera fecha em Zilá (Leandra Leal) e Alaorzinho (Daniel de Oliveira). Os dois são daqueles atores que fazem falta na televisão aberta. Talentosos, carismáticos, com presença de cena. E, juntos, têm química de sobra. Eles elevam o nível da novela. E lembram como a TV aberta cresce quando aposta em atores com densidade.
Outro destaque importante é Isabelle Drummond, que vive a influenciadora Nayane. Fazia tempo que Isabelle não fazia uma novela na TV aberta e o retorno acontece em ótimo momento. Ela está segura, afinada com o tom da trama e com um timing de comédia delicioso. Nayane poderia ser apenas uma caricatura do universo digital. Mas ganha humanidade, camadas e carisma. Isabelle traz frescor à novela e dialoga diretamente com o público mais jovem, sem perder a conexão com quem acompanha a dramaturgia há anos. É um reencontro feliz entre atriz e horário.
Outro acerto está na dupla Ronei e Agildo, vividos por Thomás Aquino e Evaldo Macarrão. As cenas são divertidíssimas. Existe ritmo, timing, cumplicidade em cena. E Ronei, mesmo vilão, não é aquele antagonista pesado que contamina a energia da trama. Ele é carismático, irônico; quase sedutor na própria maldade. Lembra muito a icônica Chayene, de “Cheias de Charme”, interpretada por Cláudia Abreu. Vilã? Sim. Mas irresistível.
Em tempos em que muitas produções parecem querer ser mais densas do que precisam, “Coração Acelerado” acerta justamente por não tentar ser outra coisa. Ela é solar, musical, alegre. Tem conflitos, claro, mas não pesa. E talvez seja isso que explique a sensação que muita gente tem ao terminar um capítulo: a de ter passado meia hora em boa companhia.
No fim das contas, novela das sete é isso. Ritmo, romance, humor e personagens que fazem a gente querer voltar no dia seguinte. E quando é bem feita — como aqui — a gente volta sorrindo