Eu estava esperando esse bate-papo com a Sarah Andrade, eliminada do “BBB 26” nesta terça-feira (10), por um motivo muito específico: quem estaria do outro lado era o Gil do Vigor. E isso muda tudo. Os dois carregam uma história desde o “BBB 21”. São amigos. São cúmplices de uma das edições mais marcantes do reality. Justamente por isso, o encontro no “Bate-Papo BBB” tinha potencial para virar dois extremos perigosos: ou um momento de proteção exagerada, ou um embate desconfortável demais.
Não foi nenhum dos dois. Gil não é jornalista. Ele não está ali para fazer interrogatório, nem para encurralar eliminado. O papel dele não é “destruir”, é provocar reflexão. E foi exatamente isso que ele fez — com firmeza, sem agressividade e, principalmente, sem fingir que nada aconteceu.
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Ele disse o que muita gente estava esperando ouvir: que houve tentativa de repetir fórmula do “BBB 21”, que faltou aprendizado, que o jogo foi deturpado, que algumas falas — como a do “bolo” de Juliette e Fiuk e o episódio envolvendo Matheus — foram erros claros. Não houve pano passado. Mas também não houve humilhação pública. E isso é maturidade.
Um amigo de verdade não aplaude erro e também não joga na fogueira. Ele fala olhando no olho e foi exatamente o que Gil fez. Confrontou, mas não atacou; pontuou, mas não desrespeitou.
É claro que parte do público vai achar que ele poderia ter sido mais duro. Outra parte vai dizer que pegou leve demais. Normal. “BBB” é paixão, torcida e expectativa projetada; sempre vai haver quem queira sangue. Só que televisão não é tribunal. E o pós-eliminação não precisa ser execução.
O mais interessante é que o próprio público reconheceu isso. Muitos elogiaram a condução equilibrada, a franqueza sem crueldade. Gil foi transparente — e ele sempre foi assim. Dentro da casa, fora dela, em qualquer palco. No fim das contas, o que vimos foi um bate-papo justo. E justiça, em reality show, às vezes é muito mais eficaz do que espetáculo. E nisso, na minha opinião, ele foi certeiro.