Polícia conclui inquérito sobre morte de cão Orelha e caso Caramelo

A Polícia Civil de Santa Catarina concluiu a investigação sobre a morte do cão comunitário Orelha e a tentativa de afogamento do cachorro Caramelo, ocorridas na Praia Brava, em Florianópolis. Um adolescente foi apontado como autor da agressão que resultou na morte de Orelha, enquanto outros quatro jovens foram identificados por envolvimento no caso de Caramelo.

De acordo com a polícia, nos dois episódios os envolvidos praticaram atos infracionais análogos ao crime de maus-tratos. No caso de Orelha, a Polícia Civil solicitou a internação provisória do adolescente identificado como agressor. Ele esteve nos Estados Unidos durante parte do período de apuração.

“Em diversos momentos, ele se contradisse e omitiu fatos importantes para a investigação”, afirmou o delegado Renan Balbino. A defesa do adolescente declarou, em nota, que “informações que vieram a público dizem respeito a elementos meramente circunstanciais, que não constituem prova e não autorizam conclusões definitivas”.

No episódio envolvendo o cão Caramelo, quatro adolescentes foram representados por maus-tratos. Os nomes, idades e a localização dos suspeitos não foram divulgados, em razão do sigilo previsto pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

O cão Orelha morreu no dia 4 de janeiro. Animal comunitário, ele era cuidado por moradores da Praia Brava e foi encontrado agonizando após as agressões. Laudos da Polícia Científica apontaram que o cachorro sofreu uma pancada contundente na cabeça, possivelmente causada por um chute ou por um objeto rígido, como madeira ou garrafa.

Segundo a Polícia Civil, 24 testemunhas foram ouvidas e oito adolescentes chegaram a ser investigados no caso. O inquérito foi encaminhado nesta terça-feira (3) ao Ministério Público de Santa Catarina (MPSC).

Durante a apuração, o delegado Renan Balbino detalhou inconsistências no depoimento do adolescente apontado como autor. “O desenrolar dos fatos começou às 5h25 da manhã, quando o adolescente saiu do condomínio na Praia Brava. Às 5h58 da manhã, ele retornou para o condomínio com uma amiga feminina. Esse foi um dos pontos de contradição em seu depoimento. O adolescente não sabia que a Polícia possuía as imagens dele saindo do local e disse que havia ficado dentro do condomínio, na piscina. Além das imagens, testemunhas e outras provas também comprovaram que ele estava fora do condomínio”.

“As imagens, roupas e testemunhas confirmam que ele estava na praia”, afirmou o delegado.

A delegada Mardjoli Valcareggi explicou que o jovem permaneceu fora do Brasil até 29 de janeiro e que a polícia monitorou a antecipação do voo para localizá-lo no retorno. “Durante a abordagem, chamou atenção que um familiar tentou esconder um boné rosa na sua bolsa particular. Também durante a revista da mala desse adolescente, esse mesmo familiar apresentou um comportamento suspeito, ao falar que esse moletom teria sido adquirido na viagem”.

As roupas foram apreendidas e comparadas com imagens obtidas durante a investigação, o que permitiu identificar o vestuário utilizado no dia das agressões. A delegada também destacou a estratégia de sigilo adotada durante as diligências.

“Como se tratava de um adolescente fora do país, ele poderia empreender fuga ou se desfazer de importantes elementos de prova, como a roupa utilizada na data do fato e o seu aparelho celular”, disse.

Além do adolescente, três adultos foram indiciados pela Delegacia de Proteção Animal por coação. Para esclarecer a autoria, a polícia analisou mais de mil horas de imagens de 14 câmeras de monitoramento, além de depoimentos, contradições nos relatos e dados de geolocalização obtidos por meio de um software internacional.

Com informações G1

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