Início / Versão completa
MUNDO

Sanae Takaichi conquista vitória histórica e consolida maioria no Parlamento japonês

Por Marcos Henrique 09/02/2026 07:25
Publicidade
Foto: Reuters / Eugene Hoshiko

A coalizão liderada pela primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, obteve uma vitória eleitoral histórica neste domingo (8), abrindo caminho para a implementação de uma agenda ambiciosa que inclui cortes de impostos e o fortalecimento dos gastos militares, em meio a tensões com a China e preocupações dos mercados financeiros.

Publicidade

Primeira mulher a chefiar o governo japonês, a conservadora de 64 anos deve garantir cerca de 328 das 465 cadeiras da Câmara Baixa para o Partido Liberal Democrático (PLD), ultrapassando com folga os 233 assentos necessários para a maioria absoluta. O resultado foi praticamente confirmado menos de duas horas após o fechamento das urnas, marcando um dos melhores desempenhos eleitorais da história do partido.

Com o apoio do Partido da Inovação do Japão (Ishin), parceiro de coalizão, Takaichi passa a contar com uma maioria qualificada de dois terços, o que facilita a aprovação de projetos e permite ao governo contornar eventuais resistências da Câmara Alta, onde a coalizão não tem controle.

Durante entrevista concedida enquanto os votos ainda eram contabilizados, Takaichi afirmou que a eleição representou uma virada significativa na política do país. Segundo ela, temas como mudanças na política econômica, fiscal e o reforço da segurança nacional estiveram no centro do debate. “São políticas que enfrentaram muita oposição. Se recebemos o apoio do público, devemos implementá-las com determinação”, declarou.

Publicidade

A primeira-ministra convocou uma rara eleição antecipada de inverno no hemisfério norte para aproveitar o momento de alta popularidade, conquistada após assumir a liderança do PLD no fim do ano passado. A estratégia se mostrou eficaz, mesmo diante das dificuldades climáticas: fortes nevascas atingiram diversas regiões, afetaram o transporte e levaram ao fechamento antecipado de algumas seções eleitorais. Esta foi apenas a terceira eleição nacional realizada em fevereiro no Japão desde o pós-guerra.

Apesar das condições adversas, eleitores enfrentaram temperaturas abaixo de zero para votar. Na cidade de Uonuma, na província montanhosa de Niigata, o professor Kazushige Cho, de 54 anos, afirmou que Takaichi transmite uma sensação de rumo claro para o país. “Parece que o Japão inteiro está avançando na mesma direção”, disse.

A popularidade da premiê também se reflete entre os jovens, grupo que ajudou a reverter a recente queda do PLD. Takaichi chegou a inspirar uma onda apelidada de “sanakatsu”, uma espécie de “Sanae-mania”, com itens pessoais da líder, como sua bolsa e caneta rosa, tornando-se objetos disputados.

No entanto, nem todos receberam o resultado com entusiasmo. A promessa de suspender o imposto de 8% sobre a venda de alimentos, para aliviar o impacto da inflação sobre as famílias, gerou preocupação entre investidores, que questionam como o país — dono do maior nível de endividamento entre as economias avançadas — irá financiar a medida. Takaichi afirmou que o governo deve acelerar a análise da proposta, priorizando a sustentabilidade fiscal.

Para analistas, ainda há incertezas. “Os planos de corte do imposto sobre o consumo levantam dúvidas sobre o financiamento e o equilíbrio das contas públicas”, avaliou Chris Scicluna, chefe de pesquisa da Daiwa Capital Markets Europe, em Londres.

No cenário internacional, a vitória foi bem recebida por aliados. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou apoio total à primeira-ministra e afirmou que ela será recebida na Casa Branca no próximo mês. Já o presidente de Taiwan, Lai Ching-te, foi um dos primeiros líderes estrangeiros a parabenizá-la, destacando a expectativa de um futuro mais seguro e próspero para a região.

A China, por outro lado, acompanha o resultado com cautela. Poucas semanas após assumir o cargo, Takaichi provocou a maior crise diplomática com Pequim em mais de uma década, ao detalhar publicamente como o Japão poderia reagir a um eventual ataque chinês a Taiwan. A resposta chinesa incluiu contramedidas diplomáticas e alertas para que seus cidadãos evitassem viagens ao Japão.

Com o forte mandato obtido nas urnas, a primeira-ministra pode acelerar seus planos de reforço das defesas japonesas, o que tende a aumentar ainda mais as tensões com Pequim. O ministro da Defesa, Shinjiro Koizumi, afirmou que o governo pretende fortalecer a segurança nacional sem abandonar o diálogo com a China.

Para especialistas em geopolítica, o recado das urnas é claro. “Pequim agora precisa lidar com a realidade de que Takaichi está firmemente no poder, e que as tentativas de isolá-la fracassaram”, avaliou David Boling, diretor da Asia Group.

Informações via Agência Brasil.
Recomendado
Publicidade
Ver matéria completa no site
Página AMP gerada pelo Tupa AMP Pro com componentes válidos para AMP. Scripts comuns do tema são bloqueados nesta versão para reduzir erros de validação.