Quase cinco meses após a morte do aposentado Francisco Tomaz Pereira da Silva, de 61 anos, a mulher suspeita de ter cometido o crime foi indiciada por homicídio pela Polícia Civil. O caso aconteceu em setembro do ano passado, durante uma briga em uma praia no município de Feijó, no interior do Acre.
A conclusão do inquérito foi divulgada nesta quarta-feira (4) e o procedimento já foi encaminhado ao Ministério Público do Acre (MP-AC). O nome da suspeita não foi divulgado. O g1 não conseguiu contato com a defesa dela.
Investigações e conclusão do inquérito
De acordo com a Polícia Civil, as investigações apontaram que foi a mulher quem atacou e matou Francisco Tomaz com golpes de canivete. Testemunhas que estavam no local no momento do crime foram ouvidas, e após a análise dos depoimentos e das imagens do ocorrido, a polícia descartou a tese de legítima defesa apresentada pela suspeita.
O delegado de Feijó, Dione Lucas, informou que tanto a vítima quanto a suspeita estavam alcoolizados no momento da briga, fator que pode ter contribuído para a gravidade do episódio. Segundo ele, as imagens do vídeo que registrou a confusão foram fundamentais para o indiciamento.
“No vídeo é possível ver claramente a vítima se afastando, enquanto a mulher continua desferindo os golpes. É difícil caracterizar legítima defesa. Diante disso, ela foi indiciada”, explicou o delegado.
Vídeo foi decisivo
As imagens foram gravadas por um homem que estava em uma barraca próxima e mostram o início da discussão, que rapidamente evoluiu para agressões físicas. Francisco aparece discutindo com a mulher e outras pessoas, até que empurra a suspeita, que cai no chão. Em seguida, ela se levanta e passa a agredi-lo.
Um homem ainda tenta separar a briga e chega a empurrar o idoso. Na sequência, a mulher volta a investir contra Francisco, que desfere um soco no rosto dela. Logo depois, a suspeita atinge o abdômen da vítima com um canivete e tenta golpeá-lo outras vezes, enquanto ele tenta se defender.
Francisco chegou a ser socorrido por uma ambulância e levado ao Hospital Geral Dr. Baba, em Feijó, mas não resistiu aos ferimentos.
Prisão e medidas cautelares
A suspeita foi presa em flagrante logo após o crime, porém foi solta no dia 8 de setembro, durante audiência de custódia. Na decisão judicial, foi levado em conta o fato de ela ser ré primária, possuir emprego e residência fixa, além de não ter antecedentes criminais.
Como medidas cautelares, a mulher ficou obrigada a:
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Comparecer a todos os atos do processo e se apresentar bimestralmente à Justiça;
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Não se ausentar da comarca sem autorização judicial;
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Manter endereço e telefone atualizados nos autos;
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Não frequentar bares, festas ou locais com consumo de bebida alcoólica.
O caso agora segue sob análise do Ministério Público, que deve decidir sobre o oferecimento da denúncia à Justiça.