A cientista Tatiana Sampaio afirmou que o Brasil perdeu a patente internacional da polilaminina, substância desenvolvida ao longo de mais de duas décadas de pesquisa na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Segundo ela, a perda ocorreu por falta de recursos para manter o registro fora do país.
A declaração foi feita em entrevista ao canal TV 247, em conversa com a jornalista Hildgard Angel. Embora a entrevista tenha sido concedida há algumas semanas, o tema ganhou repercussão recente após trechos circularem nas redes sociais.
De acordo com Tatiana, o pedido de patente foi realizado em 2007, quando a pesquisa ainda estava em fase inicial, mas já apresentava potencial terapêutico. A concessão, no entanto, só ocorreu em 2025 — 18 anos depois. Como a validade de uma patente é de 20 anos, o prazo acabou se tornando um fator limitante.
A pesquisadora explica que o grupo cumpriu todas as etapas legais, registrando inicialmente a patente nacional e, depois, a internacional. O problema surgiu entre 2015 e 2016, quando cortes orçamentários atingiram a universidade e impediram o pagamento das taxas internacionais necessárias para manter a proteção da tecnologia fora do Brasil.
“Parou de pagar, nunca mais recupera. Não pode refazer, não pode reapresentar”, afirmou. Segundo ela, a patente internacional foi perdida de forma definitiva, o que permite que outros países utilizem a tecnologia sem restrições.
A patente nacional só foi preservada porque, de acordo com a cientista, ela própria arcou temporariamente com os custos. “Ficamos só com a patente nacional, que eu paguei do meu bolso para não perder”, declarou.
Tatiana associou a perda da patente aos cortes realizados no período dos governos de Dilma Rousseff e Michel Temer, destacando que a redução de investimentos em ciência teve impactos estruturais.
A polilaminina é apontada como uma das pesquisas mais promissoras da ciência brasileira na área de regeneração do sistema nervoso. O estudo abre caminho para recuperar a comunicação entre eixos nervosos e pode contribuir para a devolução de movimentos a pessoas com lesões na medula espinhal, incluindo casos de tetraplegia.
A repercussão do caso reacendeu o debate sobre o financiamento público à ciência no Brasil. Pesquisadores e entidades do setor alertam que projetos de longo prazo dependem de investimentos contínuos para garantir inovação, soberania tecnológica e retorno econômico ao país.