A morte de uma criança de apenas 10 anos, em Sena Madureira, que supostamente teria tirado a própria vida, gerou comoção profunda na comunidade e abriu um debate delicado e necessário: qual é o papel dos jogos online nesse contexto? E, principalmente, de quem é a responsabilidade?
A recente reportagem exibida pelo Fantástico reacendeu a discussão ao abordar os riscos presentes em plataformas digitais bastante populares entre crianças e adolescentes, como o Roblox. A pergunta que fica é direta: esses ambientes são apenas jogos ou funcionam, na prática, como redes sociais abertas, onde menores interagem com desconhecidos do mundo todo?
É preciso compreender que muitos desses jogos vão além do entretenimento. Eles permitem conversas em tempo real, criação de salas privadas, trocas de mensagens e interação com pessoas de diferentes países. Em outras palavras, são espaços públicos digitais e, como qualquer espaço público, exigem vigilância, orientação e presença ativa dos responsáveis.
A tecnologia, por si só, não é vilã. Jogos online podem estimular criatividade, raciocínio e socialização. O problema surge quando há ausência de mediação. Estar dentro de casa, no quarto, diante de um computador ou celular, não significa estar completamente protegido.
Diante disso, alguns pontos se tornam fundamentais para as famílias:
- Conhecer o jogo que o filho utiliza;
- Entender como funciona a plataforma;
- Jogar junto sempre que possível;
- Conversar abertamente sobre os riscos de falar com estranhos;
- Orientar para que não compartilhem informações pessoais;
- Monitorar tempo de uso e comportamentos.
Mais do que controlar, é preciso dialogar. A construção de confiança é uma das principais ferramentas de proteção.
O caso de Sena Madureira não deve ser tratado com sensacionalismo, mas com responsabilidade. Ele escancara uma realidade: a infância de hoje também acontece no ambiente digital. E assim como ensinamos nossos filhos a atravessar a rua com cuidado, precisamos ensiná-los a navegar na internet com consciência.
Plataformas precisam reforçar mecanismos de segurança. Escolas devem incluir educação digital em suas práticas. Mas os pais têm, sim, o dever de acompanhar, orientar e monitorar cada passo.
A discussão não é sobre proibir tecnologia. É sobre presença, diálogo e responsabilidade compartilhada.