Vacina contra HPV passa a proteger contra cânceres de orofaringe, cabeça e pescoço. Entenda!

Vacina contra HPV passa a proteger contra cânceres de orofaringe, cabeça e pescoço. Entenda!

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou a atualização da bula da vacina nonavalente contra o papilomavírus humano (HPV), produzida pela farmacêutica MSD, para incluir formalmente a prevenção de cânceres de orofaringe e de cabeça e pescoço. Com a decisão, o imunizante passa a ter reconhecimento regulatório também para esses tipos de tumor.

Até então, a vacina já era recomendada para prevenir câncer de colo do útero, vulva, vagina e ânus, além de verrugas genitais, lesões pré-cancerosas e infecções persistentes relacionadas ao vírus. A nova indicação vale para pessoas de 9 a 45 anos, independentemente do sexo.

Segundo a agência reguladora, “A nova indicação é fundamentada na prevenção da infecção persistente pelos tipos de HPV oncogênicos (16, 18, 31, 33, 45, 52 e 58), reconhecidos como principais agentes etiológicos desses cânceres, bem como na demonstração de resposta imunológica robusta contra esses tipos virais”.

Veja as fotosAbrir em tela cheia Vacina experimental mostra potencial para prevenir vários tipos de câncerFreepik Vacina experimental mostra potencial para prevenir vários tipos de câncerFreepik Vacina experimental mostra potencial para prevenir vários tipos de câncerFoto: Freepik Vacina experimental mostra potencial para prevenir vários tipos de câncerFreepik Uso de testosterona sintética e anabolizantes pode causar insuficiência cardíaca e infertilidadeFreepik VacinaçãoTânia Rêgo/Agência Brasil/Arquivo

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A versão nonavalente — que oferece cobertura contra nove subtipos do HPV — é disponibilizada atualmente apenas na rede privada, com preço médio em torno de R$ 800 por dose. Nesta semana, durante o anúncio de um aporte de R$ 1,4 bilhão ao Instituto Butantan, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que há intenção do governo federal de incluir essa formulação no Programa Nacional de Imunizações (PNI).

Enquanto isso, o Sistema Único de Saúde (SUS) aplica gratuitamente a vacina quadrivalente, em dose única, para meninas e meninos de 9 a 14 anos, além de pessoas imunossuprimidas até os 45 anos. Jovens de 15 a 19 anos que perderam o prazo também podem se vacinar até junho deste ano, conforme orientação do Ministério da Saúde.

A Anvisa reforça que a imunização deve ocorrer preferencialmente antes do início da vida sexual, já que a principal via de transmissão do HPV é o contato sexual. Dados mais recentes da pasta indicam que, em 2025, 85,9% das meninas e 74,3% dos meninos na faixa etária recomendada foram vacinados — índices ainda abaixo da meta de 90%.

A vacina quadrivalente protege contra os tipos 6, 11, 16 e 18 do vírus e tem indicação para prevenção de cânceres do colo do útero, vagina, vulva e ânus, além de verrugas genitais e lesões pré-malignas. O Instituto Butantan, responsável pela produção nacional do imunizante por meio de acordo de transferência de tecnologia com a MSD, ressalta que os tipos 16 e 18 também estão associados a câncer de pênis e de orofaringe.

Estudos internacionais reforçam o impacto do HPV na carga global de câncer. Pesquisa da Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (Iarc), vinculada à Organização Mundial da Saúde (OMS), publicada neste mês na revista Nature Medicine, aponta que 10,2% de todos os casos de câncer no mundo têm relação com infecções, principalmente pelo HPV.

Caminho para eliminar o câncer de colo do útero
Devido à alta eficácia da vacinação, especialistas consideram possível erradicar o câncer de colo do útero nas próximas décadas. A OMS estabeleceu metas globais para 2030: vacinar 90% das meninas até os 15 anos, garantir que 70% das mulheres realizem rastreamento aos 35 e 45 anos e assegurar tratamento adequado para 90% das pacientes diagnosticadas.

Projeção publicada na revista The Lancet Oncology estima que, com vacinação e rastreamento em larga escala, a maioria dos países pode eliminar esse tipo de tumor até o fim do século, prevenindo cerca de 13,4 milhões de casos até 2069.

Resultados observados em diferentes países reforçam essa perspectiva. Na Suécia, estudo divulgado em 2020 no New England Journal of Medicine, com acompanhamento de mais de 1,6 milhão de mulheres imunizadas ainda jovens com a vacina quadrivalente, apontou redução de 63% no risco de câncer invasivo do colo do útero antes dos 30 anos. Entre aquelas vacinadas antes dos 17 anos, a queda no risco chegou a 88%.

Na Holanda, mulheres completamente imunizadas aos 16 anos apresentaram, após 15 anos de seguimento, redução de 92% no risco de câncer do colo do útero e de 81% nas lesões graves pré-cancerosas. Já na Escócia, não foram registrados casos da doença entre mulheres vacinadas aos 12 e 13 anos, após até 16 anos de acompanhamento.

Com a ampliação da indicação da vacina nonavalente, especialistas avaliam que o país dá mais um passo na estratégia de prevenção de diferentes tipos de câncer associados ao HPV.

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Tags: CâncerHPVSAÚDEvacina