YacoNews

Acre está entre os dez estados do país com maior crescimento real do PIB em três décadas, aponta estudo

Rio Acre, na capital do Acre Foto: Arquivo/Secom.

estudo Crescimento Econômico Real nos Estados do Brasil (1995-2025) coloca o Acre entre os dez estados que mais se destacaram na evolução do Produto Interno Bruto (PIB) ao longo de três décadas. De acordo com o levantamento, o estado ocupa a décima posição, com um aumento acumulado de 327%. Os dados foram divulgados pela plataforma O Brasil Em Mapas que realiza pesquisa e analisa dados socioeconômicos, por meio de mapas, infográficos e análises territoriais aprofundadas, oferecendo subsídios para a formulação de políticas públicas e para a tomada de decisões estratégicas nos setores público e privado.

De acordo com o levantamento, o estado ocupa a décima posição, com um aumento acumulado de 327%. Foto: divulgação

No mesmo período (1995–2025), o PIB real brasileiro cresceu 222%, mas em ritmos bastante distintos entre regiões e unidades da federação. O Centro-Oeste (408%) e o Norte (354%) lideram as altas, impulsionados pela expansão do agronegócio e da fronteira agrícola, destaca o estudo.

As três décadas analisadas abrangem desde a consolidação do Plano Real até os desdobramentos mais recentes da economia pós-pandemia, passando por ciclos de crescimento, crises internas e externas, transformações estruturais e mudanças no regime de política econômica.

Para o governador Gladson Camelí, o resultado consolida o trabalho desenvolvido desde 2019 para alavancar a economia acreana por meio de políticas que favorecem o crescimento econômico do estado.

“A nossa economia vem crescendo gradativamente. O resultado do boletim comprova isso. Temos gerado emprego e renda e investimos naquilo que tem dado retorno: as pessoas. Com a colaboração de cada acreano e cada acreana, conseguimos chegar a esse resultado expressivo, colocando, como eu sempre digo, o nosso estado em destaque”, afirmou.

Acre está no Top 10 da lista, segundo o levantamento. Foto: divulgação

Exportações do Acre crescem 12%

O Acre fechou o ano de 2025 com um saldo de exportações de US$ 98,9 milhões, um patamar nunca antes alcançado, representando crescimento de 13% em relação ao ano anterior. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços apontam que a balança comercial terminou 2025 com um superávit de US$ 93,7 milhões.

O resultado é o maior já registrado desde 2015, tanto em saldo quanto em volume de exportações. O titular da Secretaria de Indústria, Ciência e Tecnologia do Acre (Seict), Assurbanípal Mesquita, avalia o fortalecimento das exportações como uma continuidade das conquistas obtidas nos últimos anos.

Desde 2024, as exportações de carne bovina e suína têm registrado aumento significativo, representando 27,9% e 16,8% das movimentações, respectivamente. A soja também apresentou crescimento expressivo, com alta de 200,6%.

“De dois anos para cá, com a entrada da proteína animal no mercado peruano, já tínhamos a perspectiva de ampliar o volume das exportações. Isso vem acontecendo ano após ano, graças ao incentivo fiscal do governo estadual às indústrias exportadoras e aos investimentos das empresas, especialmente as de proteína animal, para expandir sua produção. A cada ano, elas ampliam seu potencial produtivo e, consequentemente, as exportações aumentam. Esse crescimento prosseguirá gradualmente”, afirma Mesquita.

Exportações de carne bovina e suína aumentaram nos últimos anos e impactaram no resultado. Foto: cedida

O Acre fortalecido lá fora

Um dos principais marcos desse avanço foi o reconhecimento internacional do Acre como zona livre de febre aftosa sem vacinação, obtido em 2021. A certificação, concedida pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), ampliou o acesso da carne bovina acreana aos mercados internacionais e impulsionou a cadeia produtiva da proteína animal.

“O Acre foi um dos primeiros estados a alcançar essa conquista. Graças à qualidade da nossa proteína, o estado tem sido procurado por diversos países interessados em adquirir nossos produtos. Esse fator, aliado à certificação internacional, ampliou as oportunidades da proteína animal acreana para vários mercados”, reforça.

O próximo desafio é consolidar relações comerciais com Chile e Malásia.

Para o secretário, os resultados também refletem uma política de promoção internacional do estado, com participação em eventos como o Lide Brazil Investment Forum, em Nova York: “A equipe de governo – Seict, Secretaria de Turismo (Sete) e pela Agência de Negócios do Acre (Anac) -, junto a instituições empresariais, tem realizado missões, apoiado empresários e promovido negócios em feiras internacionais. Isso encoraja os empreendedores locais, que passam a explorar e alcançar novos mercados”.

Segundo Mesquita, o desempenho das exportações fortalece o ambiente de negócios e estimula a atração de investimentos externos e internos.

“Fortalece a economia, contribui para a produção e garante renda ao homem do campo. A indústria de proteína animal, grande exportadora, impulsiona a produção agrícola e gera receita para produtores de soja, milho, frutas e criadores familiares. O crescimento das exportações fortalece o emprego e amplia as oportunidades de renda. Por isso, precisamos seguir incentivando e ampliando o apoio ao comércio exterior do Acre”, afirmou.

O gestor destacou ainda o protagonismo dos produtores, que têm liberdade para produzir em um ambiente favorável, com apoio ao licenciamento. “Com a iniciativa dos produtores, nosso clima e condições, além do licenciamento ambiental funcional, foi possível ampliar a produção agrícola de soja e milho e retomar os manejos florestais, que abastecem a indústria madeireira. Esses fatores ativaram dois grandes setores: o agronegócio comercial e o setor florestal exportador”, relatou.

Integração entre agrofloresta e proteína animal reduz custos e impulsiona a pecuária e a indústria frigorífica. Foto: Diego Gurgel/Secom

Atrair investimentos

A integração entre os setores agroflorestal e de proteína animal tem reduzido custos e impulsionado a pecuária e a indústria frigorífica.

“A estratégia do governo para atrair novos negócios se pauta em duas frentes: a inserção geopolítica do Acre, preparando o estado para atuar como elo entre o Brasil, o Pacífico, a Ásia e os países andinos; e a atração de investimentos, especialmente por meio das zonas de processamento de exportação (ZPEs)”, destacou Mesquita.

O governo trabalha para reativar a ZPE após mudanças na legislação, com capacidade para abrigar mais de cem indústrias. Missões já foram realizadas na Rússia, no Peru e na Bolívia para atrair novos investimentos.

Além disso, o Estado tem fortalecido a cultura de comércio exterior entre os empresários acreanos. “A ideia é credenciar o empresariado local, ensinando como importar e exportar, seja para vender no Brasil ou para conquistar mercados internacionais”, explicou Mesquita.

Fonte Secom

Sair da versão mobile