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MUNDO

Alta do petróleo pressiona G7 em meio ao conflito com o Irã

Por Marleide 09/03/2026 18:29 Atualizado em 09/03/2026 18:34
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A disparada no preço do petróleo passou a preocupar as principais economias do mundo. Ministros das finanças dos países do G7 se reuniram nesta segunda-feira (9) para avaliar possíveis medidas diante da alta do barril, impulsionada pelo conflito envolvendo o Irã e pelo fechamento do Estreito de Ormuz.

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Mesmo com a pressão no mercado internacional, as potências decidiram, por enquanto, não liberar os estoques estratégicos de petróleo. O barril chegou perto de US$ 120 — o maior valor registrado desde o início da guerra na Ucrânia, em 2022 — após uma valorização de até 30% desde o início das tensões com o Irã.

O grupo reúne França, Alemanha, Estados Unidos (EUA), Itália, Japão, Canadá e Reino Unido. Durante a reunião, foi debatida a possibilidade de liberar reservas estimadas em cerca de 1,2 bilhão de barris de petróleo, além de aproximadamente 600 milhões mantidos por exigência governamental.

A tensão nos mercados foi agravada pelo fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã. A região é estratégica para o comércio global, já que cerca de 25% do petróleo mundial passa por essa rota marítima. A situação provocou quedas nas bolsas de valores em vários países.

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Ataques de retaliação de Teerã contra alvos no Golfo Pérsico também contribuíram para reduzir a oferta de petróleo de grandes produtores da região, como Bahrein e Catar.

“Além dos desafios da travessia do Estreito de Ormuz, uma parcela substancial da produção de petróleo foi reduzida. Isso está criando riscos significativos e crescentes para o mercado”, afirmou o diretor executivo da Agência Internacional de Energia (AIE), Fatih Birol.

A diretora técnica do Instituto de Estudos Estratégicos em Petróleo (Ineep), Ticiana Álvares, explicou à Agência Brasil que o mercado projetava para 2026 um preço médio do barril próximo de US$ 70.

“Os mais impactados imediatamente devem ser, nessa ordem, Ásia e Europa. Só que, se o conflito se mantiver, se aprofundar, a tendência é que haja um impacto global de maiores repercussões”, comentou.

Segundo estimativas da AIE, cerca de 80% do petróleo transportado pelo Estreito de Ormuz em 2025 teve como destino países asiáticos. Ainda assim, a agência alerta que uma interrupção prolongada no fluxo marítimo pode provocar efeitos em escala mundial.

Petrobras pode se beneficiar

Para Ticiana Álvares, a redução da oferta de petróleo do Oriente Médio pode abrir espaço para outros produtores no mercado internacional. Nesse cenário, a Petrobras poderia ampliar sua participação como fornecedora alternativa.

A especialista avalia ainda que a China conseguiria suportar por cerca de dois meses uma eventual interrupção no fornecimento de petróleo iraniano.

“A própria geografia do fornecimento do petróleo vai ser impactada. O Brasil pode ser uma alternativa para o fornecimento de muita gente, elevando ainda mais a produção no Brasil. Os EUA também são grandes fornecedores de petróleo, principalmente de derivados”, completou Ticiana.

Liberação de estoques

Apesar da preocupação com a instabilidade no mercado global, os países do G7 optaram por não liberar, neste momento, as reservas emergenciais.

“Ainda não chegamos lá [na liberação das reservas]. O que acordamos foi usar todas as ferramentas necessárias, se preciso for, para estabilizar o mercado, incluindo a possível liberação dos estoques necessários”, disse à Reuters o ministro da Economia francês, Rolando Lescure.

Segundo Ticiana Álvares, mesmo que essa medida seja adotada, o impacto tende a ser limitado.

“A medida estudada pelo G7 teria eficácia pequena porque isso sustenta por um tempo muito pequeno uma maior oferta de petróleo”, disse.

Irã responsabiliza EUA e Israel

Autoridades iranianas afirmam que a escalada dos preços é consequência das ações militares dos Estados Unidos e de Israel contra o país. A avaliação foi feita pelo presidente do Legislativo iraniano, Mohammad Bagher (MB) Ghalibaf.

“O impacto econômico dessa guerra, que se alastra para a infraestrutura em toda a região e no mundo, será vasto e duradouro. O preço do petróleo pode permanecer acima de US$ 100 por algum tempo. A política de Donald Trump pode levar à ruína não só a América, mas o mundo inteiro”, comentou MB em uma rede social.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, minimizou o impacto da alta do petróleo. Segundo ele, o aumento no preço é um custo pequeno diante dos objetivos estratégicos do país.

“A subida do valor do barril de petróleo é um preço ‘muito pequeno’ a se pagar ‘pela segurança e paz dos EUA e do mundo’. “Só os tolos pensariam diferente”, afirmou. Para Trump, os preços cairão assim que a “ameaça” do Irã for eliminada.

França envia navios de guerra

Diante do agravamento da crise, o presidente francês Emmanuel Macron informou que a França enviará uma dúzia de navios de guerra e um porta-aviões para o Mar Vermelho. O objetivo é garantir a segurança da navegação e manter abertas as rotas marítimas próximas ao Estreito de Ormuz.

A operação, segundo Macron, terá caráter “puramente defensivo”.

Já o chanceler alemão Friedrich Merz demonstrou preocupação com os impactos da crise energética. O governo alemão avalia adotar regras mais rígidas para empresas do setor, incluindo possíveis limites ao reajuste de preços, conforme informou a emissora pública Deutschlandfunk.

Impactos para o Brasil

Embora a Petrobras possa se beneficiar da redução da oferta internacional de petróleo, o Brasil também pode enfrentar efeitos negativos caso o conflito se prolongue. Entre os riscos estão o aumento da inflação global e até uma possível recessão mundial.

Ticiana Álvares avalia, no entanto, que a Petrobras teria capacidade de amortecer parte da alta dos combustíveis no mercado interno.

“A Petrobras tem condições de segurar a variação do preço de importação de derivados. É possível amortecer os efeitos dessa alta nas bombas de gasolina, pelo menos por um tempo, aqui internamente no Brasil”, disse.

Ainda assim, a especialista ressalta que essa estratégia possui limites, já que o país também depende da importação de derivados de petróleo, como gasolina e diesel, e conta atualmente com refinarias privadas em operação.

“A refinaria da Bahia, a Rlam, foi privatizada. Logo, você tem menos mecanismos de segurar o preço dessas refinarias que foram privatizadas do que, por exemplo, a Petrobras tem”, finalizou.

Fonte: Agência Brasil.

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