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Ambulatório de endometriose realiza 162 atendimentos no Acre

Foto: Cedida.

O ambulatório especializado no diagnóstico e tratamento da endometriose da Fundação Hospitalar do Acre já realizou 162 atendimentos até fevereiro de 2026. O serviço foi inaugurado em abril de 2025 pelo governo do estado, por meio da Secretaria de Estado de Saúde, com foco na ampliação da assistência à saúde da mulher.

As pacientes atendidas no ambulatório passam por acompanhamento semanal. Quando há indicação cirúrgica, elas são incluídas em uma fila específica para realização do procedimento.

Segundo a rede estadual de saúde, as cirurgias para tratamento da endometriose pelo Sistema Único de Saúde (SUS) devem começar nas próximas semanas. Entre os procedimentos previstos está a videolaparoscopia, técnica minimamente invasiva já disponível na Fundação Hospitalar do Acre. Também há previsão de implantação futura de cirurgias robóticas para tratar a doença.

Além das intervenções cirúrgicas, o tratamento clínico inclui prescrição de medicamentos, fisioterapia pélvica e acompanhamento com especialistas, quando necessário.

Para acessar o serviço, a paciente precisa ser encaminhada pela atenção básica, por meio das Unidades Básicas de Saúde (UBS).

No ambulatório, as pacientes recebem orientação sobre a doença e os próximos passos do tratamento. Foto: Cedida.

A divulgação do ambulatório ocorre no contexto do Dia Nacional de Luta contra a Endometriose, celebrado em 13 de março, data que integra a campanha “Março Amarelo”, voltada à conscientização sobre a doença.

A endometriose é uma doença inflamatória crônica caracterizada pelo crescimento de tecido semelhante ao endométrio fora do útero. Entre os sintomas mais comuns estão cólicas menstruais intensas, dor pélvica crônica, dor durante a relação sexual, infertilidade e sintomas intestinais ou urinários que surgem de forma cíclica.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 10% das mulheres e meninas em idade reprodutiva no mundo convivem com a doença, o que representa mais de 190 milhões de pessoas. No Brasil, a estimativa é de que aproximadamente 8 milhões de mulheres sejam afetadas.

Dados do Sistema Único de Saúde indicam aumento na procura por atendimento relacionado à endometriose nos últimos anos. Na Atenção Primária, os registros cresceram cerca de 30%, passando de 115.131 atendimentos em 2022 para 144.971 em 2024.

Somente em 2023 e 2024, foram realizados mais de 260 mil atendimentos ligados à doença. Já na Atenção Especializada do SUS, o crescimento foi de aproximadamente 70%, com aumento de 31.729 atendimentos em 2022 para 53.793 em 2024.

Entre 2023 e 2024, foram contabilizados cerca de 85,5 mil atendimentos especializados relacionados à endometriose. As internações também aumentaram no período, passando de 14.795 em 2022 para 19.554 em 2024, crescimento de aproximadamente 32%.

Nos anos de 2023 e 2024, foram registradas cerca de 34,3 mil internações associadas à doença no país.

No Brasil, a Lei nº 14.324/2022 estabelece ações de conscientização sobre prevenção, diagnóstico e tratamento da endometriose. No Congresso Nacional, também tramitam propostas relacionadas ao tema, como o Projeto de Lei nº 1.919/2025, que prevê licença de até três dias por mês para estudantes com dores graves causadas pela doença, e o Projeto de Lei nº 762/2025, que busca garantir atendimento prioritário no SUS e início do tratamento em até 30 dias após o diagnóstico.

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