Ataques de EUA e Israel ao Irã deixam 555 mortos, segundo mídia iraniana; líder supremo é confirmado como morto

Restos de escombros após um ataque conjunto israelense-americano em Teerã, Irã, sábado, 28 de fevereiro de 2026 — Foto: Amir Kholousi/AP

ataque conjunto dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, realizado no sábado (28), deixou 555 mortos e pelo menos 747 feridos, de acordo com informações divulgadas pela organização humanitária Crescente Vermelho. A entidade também afirmou que 131 cidades iranianas já foram atingidas desde o início da ofensiva.

Explosões foram registradas na capital Teerã e em dezenas de outros municípios ao longo do dia. O presidente americano, Donald Trump, declarou que o aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã, morreu durante os bombardeios — informação confirmada horas depois pelo próprio regime iraniano.

Em resposta aos ataques, o Irã lançou mísseis contra Israel e realizou ofensivas contra bases militares americanas no Oriente Médio, incluindo instalações no Catar, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Bahrein. O governo dos EUA afirmou que os danos às suas bases foram “mínimos”.

O Estreito de Ormuz, considerado uma das principais rotas de escoamento de petróleo do mundo, foi fechado por razões de segurança, segundo a agência estatal iraniana Tasnim.

Objetivo declarado: destruir o programa nuclear

Ao comentar a operação, Trump afirmou que a meta é eliminar o programa nuclear iraniano e impedir que o país obtenha uma arma atômica. Em vídeo publicado nas redes sociais, ele disse que o regime iraniano não poderá mais “desestabilizar a região ou o mundo” e advertiu militares iranianos a se renderem.

O primeiro-ministro de Israel declarou que a ofensiva busca “eliminar a ameaça existencial representada pelo regime terrorista no Irã”.

Já o Ministério das Relações Exteriores iraniano classificou a ação como uma “agressão militar criminosa” que coloca a paz mundial em risco e cobrou providências da ONU. Em nota, o governo afirmou que, se antes estava disposto a negociar, agora está ainda mais preparado para defender a integridade do país.

Nas últimas semanas, os Estados Unidos reforçaram sua presença militar na região com o envio dos porta-aviões USS Abraham Lincoln e USS Gerald R. Ford, que se somaram a outras embarcações e bases já mantidas no Oriente Médio. Ao todo, Washington controla pelo menos dez bases em países vizinhos ao Irã e mantém tropas em outras nove.

O Irã, por sua vez, realizou exercícios militares conjuntos com Rússia e China e intensificou a proteção de suas instalações nucleares, segundo imagens de satélite.

Pressão política e crise econômica

Fumaça sobe no horizonte após uma explosão em Teerã, Irã, sábado, 28 de fevereiro de 2026. — Foto: AP

A ofensiva acontece em meio a uma forte pressão interna e externa sobre o regime iraniano. No início do ano, o país enfrentou uma onda de protestos contra o governo, reprimidos com violência. Meses depois, estudantes voltaram às ruas em manifestações.

O Irã também atravessa uma grave crise econômica, agravada pelas sanções impostas pelos EUA desde 2018, quando Trump retirou o país do acordo nuclear firmado em 2015, durante o governo de Barack Obama. Desde então, a política de “pressão máxima” foi retomada.

A inflação supera 40% ao ano e o rial perdeu cerca de metade de seu valor em relação ao dólar apenas em 2025. No fim de dezembro, o presidente do Banco Central iraniano renunciou após forte desvalorização da moeda.

Conflito de longa data

As tensões entre Estados Unidos e Irã remontam à Revolução Islâmica de 1979, que instaurou o regime teocrático liderado pelos aiatolás. Desde então, os países acumulam crises diplomáticas, sanções econômicas e confrontos indiretos.

Em 2020, uma das maiores escaladas ocorreu após a morte do general iraniano Qassem Soleimani em uma operação americana. No ano passado, novos ataques contra instalações nucleares iranianas resultaram em um contra-ataque limitado e posterior cessar-fogo.

O novo confronto reacende o temor de uma guerra em larga escala no Oriente Médio, com impactos diretos na segurança internacional e no mercado global de energia.

Informações via g1.
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