Bolsonaro pede ao STF autorização para receber assessor do governo Trump na prisão
Cris Menezes
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) solicitou ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorização para receber na prisão a visita de Darren Beattie, assessor sênior do governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, responsável por políticas relacionadas ao Brasil.
Bolsonaro está preso na unidade conhecida como Papudinha, em Brasília, onde cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado. Como o processo foi relatado por Moraes, qualquer visita ao ex-presidente depende de autorização do magistrado.
No pedido encaminhado ao STF, a defesa de Bolsonaro solicita que, de forma excepcional, a visita seja autorizada para 16 ou 17 de março. Normalmente, as visitas ao ex-presidente são permitidas apenas às quartas-feiras e aos sábados.
Darren Beattie, político de extrema direita nomeado para cargo de ‘assessor sênior para a política em relação ao Brasil’. — Foto: Divulgação/Departamento de Estado dos EUA
Darren Beattie deve estar no Brasil na próxima semana e, segundo fontes ligadas ao governo norte-americano, participará no dia 18 de março de um evento sobre minerais críticos em São Paulo.
Críticas ao governo brasileiro
Beattie é conhecido por críticas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e também à atuação de Alexandre de Moraes nos processos relacionados à chamada trama golpista. Em declarações públicas, o assessor chegou a classificar o ministro como “principal arquiteto da censura e da perseguição a Bolsonaro”.
No site do Departamento de Estado dos Estados Unidos, Beattie é descrito como um defensor da promoção da liberdade de expressão como ferramenta diplomática.
A visita ocorre em meio a discussões nos Estados Unidos sobre a possibilidade de classificar facções criminosas brasileiras, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), como organizações terroristas estrangeiras.
O governo brasileiro acompanha o debate com cautela, temendo que a classificação possa abrir espaço para algum tipo de intervenção estrangeira no país.
Beattie já esteve envolvido em controvérsias. Durante o primeiro mandato de Donald Trump, ele atuou como redator de discursos da Casa Branca, mas acabou demitido em 2018 após participar de um evento frequentado por nacionalistas brancos.
O assessor também gerou críticas por declarações nas redes sociais consideradas racistas e sexistas, além de comentários sugerindo que setores da inteligência dos Estados Unidos poderiam estar por trás de tentativas de assassinato contra Trump durante a campanha presidencial de 2024.