O brasileiro Gustavo Guimarães, de 34 anos, foi morto a tiros na última terça-feira (3/3) por policiais de Powder Springs, na Geórgia, Estados Unidos. Segundo a família, o mineiro morava em Acworth há mais de 20 anos e foi baleado durante uma conversa com os agentes durante um atendimento para tratamento psicológico e psiquiátrico.
O relato do Departamento de Polícia Powder Springs, no entanto, é diferente da versão apresentado pelos familiares. Segundo a nota emitida, “Ao chegarem ao local, os policiais entraram em contato com Guimarães. Durante a abordagem, Guimarães sacou uma arma. Os policiais, então, atiraram em Guimarães, atingindo-o várias vezes”, informou. O caso está sendo apurado pela Agência de Investigação da Geórgia, um órgão estadual equivalente a Polícia Civil no Brasil.
Veja as fotosAbrir em tela cheia Reprodução Brasileiro morto pela policia dos EUA, Gustavo GuimarãesReprodução Polícia dos EUAReprodução / Band
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A mãe da vítima, que pediu para não ser identificada em entrevista a TV Globo, nega que o homem estivesse armado e relatou que Gustavo apresentava sinais de transtornos psiquiátricos, mas recusava ajuda profissional e nunca teve um diagnóstico. A situação teria mudado na ultima semana, quando o brasileiro ficou alguns dias sem falar com a família antes de procura-los demonstrando interesse em receber assistência.
“Ele era completamente contra armas, era ativista contra a violência, era ativista contra a crueldade dos animais e outras causas. Ele dizia que Deus não criou as armas, que foram os homens. Meu filho não estava armado nem andava armado”, disse a mulher.
Na terça-feira, data da ocorrência, Gustavo encontrou com a mãe e dois profissionais de saúde mental do governo da Geórgia no estacionamento de um supermercado de Powder Springs para conversar. Segundo a prima do brasieliro, “A ideia era, pelo menos, fazer uma triagem. Ele começou a conversar com elas, explicou o que sentia e os problemas que estava enfrentando. Durante a conversa, ele começou a falar mais alto, mas não agrediu ninguém, apenas ficou nervoso com a situação”, contou.
Ainda segundo a família, em determinado momento a polícia chegou ao local dizendo que recebeu uma denúncia sobre uma pessoa com transtornos mentais em surto. “Naquele momento, ele não estava em surto, mas a chegada dos policiais acabou desencadeando esse medo que ele já tinha dos agentes, e então ele começou a se desesperar”, falou a prima.
Por conta da situação, a mãe do homem passou mal e foi levada a um hospital por uma ambulância, enquanto Gustavo permaneceu no local com os policiais. A prima informou ainda que “durante o atendimento da mãe no hospital, ela recebeu a informação de que ele havia sido morto com quatro disparos, incluindo um atrás da cabeça”.
O departamento de polícia afirma que agentes da Agência de Investigação da Geórgia estão investigando um tiroteio na última terça-feira (3/3). De acordo com o órgão, o brasileiro Gustavo Guimarães, residente de Acworth, foi morto a tiros no incidente, por volta das 21h, no quarteirão 3.000 da New MacLand Road. Foi informado ainda que nenhum policial foi ferido na ação e que o brasileiro foi levado ao hospital, onde teve a morte confirmada.
“Assim que a investigação for concluída, o processo será encaminhado ao Ministério Público do Condado de Cobb para análise”, completou a polícia de Powder Springs.
Gustavo Guimarães era estudante de biologia e líder de ética na biblioteca da Life University, na Geórgia. Procurado pela Globo, o Itamaraty se pronunciou: “Em atendimento ao direito à privacidade e em observância ao disposto na Lei de Acesso à Informação e no decreto 7.724/2012, o Ministério das Relações Exteriores não divulga informações pessoais de cidadãos que requisitam serviços consulares e tampouco fornece detalhes sobre a assistência prestada a brasileiros”.

