O quadro de saúde do jornalista Felipeh Campos, internado após ser diagnosticado com dengue hemorrágica, trouxe à tona um alerta importante: os riscos da automedicação em casos suspeitos da doença. Com queda crítica de plaquetas e relato de uso de medicamentos sem orientação, o caso exemplifica como atitudes comuns podem agravar significativamente a evolução clínica. Em entrevista ao portal LeoDias, o médico infectologista Dr. Edmilson Migowski explicou que a dengue pode começar de forma branda, mas evoluir rapidamente para quadros graves, muitas vezes quando o paciente já acredita estar melhor.
“Sim, é possível a pessoa ter dengue hemorrágica com parte mais leve, mais brando, e não é o quadro inicial que vai dar a maior gravidade, é a evolução do quadro. Entenda que as viroses, no modo geral, elas começam bem. Eu até brinco dizendo assim, uma virose no início é oba-oba, depois é o epa-epa, porque pode ocorrer essa gravidade com a evolução”, afirmou.
Veja as fotosAbrir em tela cheia Felipeh CamposReprodução/YouTube Felipeh Campos no Alô VocêReprodução / SBT Reprodução bvsms.saude.gov.br Mosquito da dengueFoto de Raquel Portugal e Rodrigo Méxas Fiocruz Imagens Felipeh Campos no “Jornal dos Famosos”Felipeh Campos (Foto: Reprodução/YouTube) Felipeh CamposFoto: Divulgação/RedeTV!
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No caso de Felipeh, a automedicação foi um fator de risco importante. Sem saber que estava com dengue, ele utilizou anti-inflamatórios, o que pode ter contribuído para o agravamento do quadro e o surgimento de hemorragia.
“Eu costumo dizer que ninguem deve se automedicar, nem mesmo os médicos. Você vê que, no caso desse paciente [Felipeh Campos], que relatou que achou que fosse um resfriado, e realmente as viroses se parecem, e aí ele toma o que? Um anti-inflamatório, que é proibido em pacientes com dengue pelo maior risco de favorecer o sangramento”, explicou.
O especialista detalha que esses medicamentos interferem diretamente no funcionamento das plaquetas, que já estão reduzidas pela infecção viral.
“Então, ele já está com baixa de plaqueta, aí faz uma droga anti-inflamatória que diminui a agregação plaquetária, diminui a função da plaqueta, então você tem uma redução numérica das plaquetas e uma disfunção dessas plaquetas provocados por alguns medicamentos”, completou.
Quais medicamentos são proibidos?
Segundo o infectologista, alguns remédios são formalmente contraindicados em casos suspeitos ou confirmados de dengue, justamente por aumentarem o risco de sangramentos graves.
“Formalmente está contraindicado em pacientes com dengue ou suspeito de dengue o uso de ácido acetil salicílico, que é a aspirina ou outros anti-inflamatórios.”
Entre os principais medicamentos que devem ser evitados estão:
Ácido acetilsalicílico (AAS)
Ibuprofeno
Diclofenaco
Nimesulida
Cetoprofeno
Naproxeno
Corticoides, como dexametasona e prednisona
Por outro lado, os mais utilizados para controle de dor e febre são a dipirona e o paracetamol, ainda assim, com cautela.
“Em tese, o paracetamol e a dipirona são antitérmicos que não iriam interferir com a agregação plaquetária. Por isso que você acaba recomendando esses dois fármacos mais do que os outros”, disse, ressaltando atenção especial ao fígado. “O paracetamol é o fármaco que mais provoca agressão do fígado. E num paciente que tem dengue, a hepatite no paciente com dengue não é uma exceção, é a absoluta regra.”
Dengue pode piorar mesmo sem febre
Outro ponto de atenção é que a piora da dengue costuma acontecer justamente quando a febre desaparece, o que pode levar pacientes a subestimarem a gravidade.
“Dengue tende a agravar lá para o quinto, sexto dia de enfermidade, quando frequentemente o paciente já não tem febre. E é isso que as pessoas às vezes bobeiam”, alertou.
Entre os principais sinais de alerta estão:
Dor abdominal intensa
Sangramentos (gengiva, nariz, fluxo menstrual aumentado ou manchas na pele)
Vômitos persistentes
Queda da pressão arterial
“Diante de um quadro desse (…) é muito importante a pessoa voltar ao serviço médico na urgência, independente de ter ido ao médico 6, 8, 10 horas atrás”, reforçou.
Reinfecção aumenta risco de gravidade
Felipeh enfrenta a doença pela terceira vez, o que também pode ter contribuído para o agravamento. De acordo com o especialista, infecções anteriores aumentam o risco de quadros mais severos.
“Sim, os quadros infecciosos subsequentes tenderiam a ter maior gravidade porque existe uma resposta inflamatória maior e maior chance desse vírus se replicar e causar um quadro de maior gravidade”, explicou.
Isso acontece porque existem quatro tipos diferentes do vírus da dengue, e uma nova infecção por outro sorotipo pode desencadear uma resposta mais intensa do organismo.
Prevenção ainda é essencial
Apesar da existência de vacina, o combate ao mosquito transmissor continua sendo a principal forma de prevenção.
“Além da vacina, o importante é o combate ao vetor, destacando que 80% dos criadouros do mosquito se encontram na casa das pessoas”, destacou.
Ele reforça a importância de eliminar água parada em locais como:
Vasos de plantas
Calhas
Garrafas e recipientes no quintal
Bandejas de geladeira e ar-condicionado
Ralos pouco utilizados

