Ícone do site YacoNews

Crítica: Em meio ao concreto, Gabriel Leone brilha em “Hamlet, Sonhos que Virão”

critica:-em-meio-ao-concreto,-gabriel-leone-brilha-em-“hamlet,-sonhos-que-virao”

Crítica: Em meio ao concreto, Gabriel Leone brilha em “Hamlet, Sonhos que Virão”

Hamlet, escrita por William Shakespeare, é uma das mais importantes criações teatrais de todos os tempos. Considerada a tragédia mais conhecida, adaptada e representada da história do teatro mundial, a história chega de maneira triunfal à cidade de São Paulo com uma concepção impecável em um espaço que utiliza os destroços para potencializar a dramaticidade.

A trama acompanha os eventos que sucedem a morte do rei da Dinamarca, o príncipe Hamlet (Gabriel Leone) vê seu tio Claudio (Eucir de Souza) assumir o trono e casar-se com sua mãe Gertrudes (Susana Ribeiro). Suspeitando das circunstâncias da morte do pai, Hamlet decide fingir loucura para investigar a verdade e testar os limites do poder, das paixões humanas e da própria razão.

Veja as fotosAbrir em tela cheia Em meio ao concreto, Gabriel Leone brilha em “Hamlet, Sonhos que Virão”Clayton Felizardo Brazilnews Em meio ao concreto, Gabriel Leone brilha em “Hamlet, Sonhos que Virão”Clayton Felizardo Brazilnews Em meio ao concreto, Gabriel Leone brilha em “Hamlet, Sonhos que Virão”Clayton Felizardo Brazilnews Em meio ao concreto, Gabriel Leone brilha em “Hamlet, Sonhos que Virão”Clayton Felizardo Brazilnews Em meio ao concreto, Gabriel Leone brilha em “Hamlet, Sonhos que Virão”Clayton Felizardo Brazilnews

Voltar
Próximo

Leia Também

Cultura
“Véspera”: o que esperar da nova série de Bruna Marquezine e Gabriel Leone

Flávio Ricco
“Novela pra quem gosta de novela”, diz Maria de Médicis sobre Beleza Fatal

Cultura
“O Agente Secreto” leva dois prêmios para o Brasil antes do encerramento de Cannes

Cultura
“O Agente Secreto”, com Wagner Moura, tem datas de estreia definidas nos EUA

A peça é encenada em meio as obras do futuro Nu Cine Copan – previsto para inaugurar em 2027. Mas, antes disso, esse local que parou no tempo, vê sua ruína ganhar vida – e não existia ambiente melhor para a nova montagem de um clássico.

Hamlet é um deslumbre visual do momento em que chegamos ao foyer, com as paredes grafitadas com trechos do texto, até a hora que o espetáculo se encerra. Rafael Gomes, diretor do espetáculo, soube usar ao seu favor todo o espaço de um cinema com ares de abandono, forçando o olhar do público para todos os cantos. O uso criativo de plataformas sobre um trilho no qual os atores deslizam de uma extremidade para a outra é um dos elementos que auxiliam esse olhar.

Com uma cenografia caprichada, um figurino clássico com elementos modernos e uma trilha sonora marcante, é a iluminação criada por Wagner Antônio, que merece destaque maior. O público é transportado para diversos ambientes diferentes em cada cena com as alterações da luz, a impressão é que estamos vendo os enquadramentos de um filme ao vivo com cada recorte que é feito pela iluminação. Todos esses elementos criam um Hamlet urbano, que é fiel à obra original, mas, que consegue ter o DNA da cidade de São Paulo. Um verdadeiro espetáculo!

De nada adiantaria essa concepção artística sem um elenco incrível e, no caso, caro leitor, o que não falta é talento em cena. Samya Pascotto, que vive Ofélia, emociona o público em uma das sequencias mais marcantes; Eucir de Souza e Susana Ribeiro, intérpretes de Rei Claudio e Rainha Gertrudes, estão em ótima sintonia; Fafá Renó faz um Laertes odioso. Todos brilham!

No entanto, o destaque maior recai sobre Gabriel Leone, que entrega um Hamlet visceral. No papel do “príncipe da Dinamarca”, Leone domina o palco com uma entrega absoluta, equilibrando com maestria a melancolia, a loucura fingida e a fúria existencial que o personagem exige. É uma performance magnética que ancora toda a produção e justifica, por si só, o ingresso.

Essa montagem prova que Hamlet nunca fica velho. Ver o texto ganhar vida entre os destroços e o concreto do futuro Nu Cine Copan é um daqueles encontros raros entre o clássico e a energia urbana de São Paulo que a gente não vê todo dia. A produção é um lembrete poderoso de que Shakespeare continua atual, e quando a entrega do elenco e a estética do espaço conversam tão bem, o teatro deixa de ser só uma peça para virar uma experiência viva e imperdível.

Nota: 10/10

Sair da versão mobile