Rodrygo viveu, em 2026, o pesadelo que nenhum jogador de seleção quer enfrentar: em alta no Real Madrid e peça central nos planos da comissão técnica, o atacante rompeu o ligamento cruzado anterior do joelho direito a poucos meses da Copa do Mundo e está fora do Mundial, entrando para uma lista de brasileiros que perderam, por lesão, a chance de jogar o torneio mais importante do futebol.
Quando a Copa acaba no departamento médico
A confirmação da lesão de Rodrygo, com previsão de recuperação entre seis e doze meses, desmontou o planejamento da seleção e expôs, mais uma vez, o risco permanente que ronda atletas em ano de Copa. Do treino leve ao jogo decisivo de clube, qualquer movimento errado pode transformar um ciclo de quatro anos em frustração, como já aconteceu com outros nomes de peso da história recente da seleção brasileira.
Veja as fotosAbrir em tela cheia Divulgação Rodrygo, atacante do Brasil, na vitória diante de SenegalFoto: Rafael Ribeiro/CBF Divulgação Rodrygo marca duas dois gols na vitória da Seleção BrasileiraFOTO: @rafaelribeirorio / CBF
Edmundo e Romário no Vasco em vitória sobre o Manchester United, no Mundial de 2000Otávio Magalhães/Estadão
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Romário – corte traumático às vésperas de 1998
Em 1998, o então camisa 11 da seleção, herói do tetra quatro anos antes, chegou ao período de preparação para a Copa da França como um dos principais jogadores do time de Zagallo. Uma lesão na panturrilha, porém, virou novela: Romário insistiu que tinha condições de se recuperar, enquanto a comissão médica via risco alto de não ter o atacante em plenas condições durante o torneio. No fim, Zagallo optou por cortá‑lo da lista final, em decisão que gerou enorme repercussão e até hoje é lembrada como um dos episódios mais traumáticos da relação entre treinador, torcida e ídolo.
Émerson – o capitão que se machucou em um rachão (2002)
Na preparação para a Copa de 2002, Émerson era o escolhido de Luiz Felipe Scolari para ser o capitão do time que buscaria o penta na Coreia do Sul e no Japão. Em um dos últimos treinos antes da estreia, improvisado como goleiro em um rachão, o volante caiu de mau jeito ao tentar fazer uma defesa e sofreu uma luxação grave no ombro. O diagnóstico obrigou ao corte de última hora, tirando de Émerson a chance de liderar a equipe no Mundial e abrindo espaço para a convocação de Ricardinho, enquanto Cafu herdou definitivamente a braçadeira de capitão.
Edmílson – campeão em 2002, fora da Alemanha em 2006
Edmílson sabe o que é viver os dois lados da moeda: campeão do mundo em 2002, o volante chegou a 2006 como nome consolidado, em grande fase no Barcelona, e presença praticamente certa na lista de Carlos Alberto Parreira. Uma lesão no joelho, porém, apareceu já na fase de preparação para o Mundial da Alemanha e acabou tirando o jogador da Copa. Mineiro foi chamado para o seu lugar, mas Edmílson viu pela televisão o que poderia ter sido a sequência natural de sua trajetória com a camisa da seleção.
Daniel Alves – o líder experiente que não foi à Rússia em 2018
Em 2018, a seleção de Tite perdeu, às vésperas da Copa da Rússia, um dos líderes do elenco: Daniel Alves, então no Paris Saint‑Germain. O lateral-direito sofreu uma lesão ligamentar no joelho em jogo da final da Copa da França e, apesar da tentativa inicial de manter esperanças, acabou vetado pelo departamento médico. A comissão técnica precisou reformular o setor às pressas, e Fagner foi o escolhido para assumir uma vaga que, até a contusão, parecia ter dono certo.
Guilherme Arana – titular figurinha carimbada no ciclo, fora do Catar em 2022
Um dos casos mais emblemáticos do ciclo para a Copa do Mundo de 2022 foi o de Guilherme Arana, lateral-esquerdo do Atlético‑MG. Protagonista em boa parte das Eliminatórias, ele sofreu grave lesão no joelho esquerdo meses antes do Mundial do Catar e teve confirmada a impossibilidade de se recuperar a tempo. Alex Telles acabou substituindo ele na lista final, tendo Alex Sandro como o titular da posição.
Rodrygo – o novo capítulo de uma lista dolorosa
Agora, em 2026, é Rodrygo quem carrega esse fardo. O jogador do Real Madrid vinha de temporadas de alto nível e era nome frequente nas convocações, com papel importante no ataque da seleção brasileira, quando rompeu o ligamento cruzado do joelho direito e o menisco durante partida pelo clube. Exames confirmaram a gravidade da lesão, e tanto o departamento médico merengue quanto o da seleção concluíram que não haveria tempo hábil de recuperação, tirando o atacante da Copa do Mundo e reabrindo o debate sobre o calendário e o desgaste físico às vésperas de grandes torneios.
O peso de ver a Copa do sofá
Casos como os de Romário, Émerson, Edmílson, Daniel Alves, Guilherme Arana e agora Rodrygo mostram como a Copa do Mundo também é um torneio de sobrevivência física, decidido, muitas vezes, antes do apito inicial. Para a seleção, as lesões representam quebra de planejamento e necessidade de ajustes às pressas; para os jogadores, significam cicatrizes que marcam carreiras, ainda que muitos, como Émerson ou Daniel Alves, tenham conseguido escrever capítulos vitoriosos em outros momentos com a camisa do Brasil.

