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Deputada Fabiana Bolsonaro faz “blackface” em discurso na Alesp e vira alvo de denúncias

Foto: Reprodução

A deputada estadual Fabiana Bolsonaro (PL) gerou forte repercussão após realizar uma encenação com pintura no rosto durante discurso no plenário da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), na quarta-feira (18). A prática, conhecida como “blackface”, é amplamente considerada racista por remeter a estereótipos históricos usados para ridicularizar pessoas negras.

Durante a fala, a parlamentar afirmou que a encenação era uma forma de argumentar que pessoas trans não podem ser consideradas mulheres. Ao longo do discurso, ela se maquiou enquanto fazia comparações sobre identidade e “lugar de fala”, o que provocou reações imediatas entre colegas e nas redes sociais.

A atitude motivou a deputada Ediane Maria (PSOL), líder da bancada na Alesp, a protocolar uma representação na Comissão de Ética por quebra de decoro parlamentar. Também foi solicitado ao Ministério Público que investigue possíveis crimes de racismo e transfobia.

Outras parlamentares, como Beth Sahão (PT) e Andréa Werner (PSB), também se manifestaram contra a conduta e assinaram pedidos de apuração. Segundo elas, a fala e a encenação ultrapassaram os limites do debate político e configuram ofensas graves.

Especialistas apontam que o “blackface” pode ser enquadrado como crime, por seu caráter discriminatório, podendo se enquadrar tanto na Lei de Racismo quanto como injúria racial, conforme previsto no Código Penal.

Após a repercussão, a deputada se pronunciou nas redes sociais, afirmando que sua fala foi mal interpretada e que a intenção era fazer uma analogia sobre representatividade. Ela defendeu que diferentes grupos devem ser representados por pessoas que vivenciam suas realidades.

Em nota, a Alesp informou que o Conselho de Ética é o órgão responsável por analisar eventuais excessos cometidos por parlamentares, destacando que a Constituição garante imunidade para opiniões e manifestações feitas no exercício do mandato.

A prática de “blackface” tem origem no século 19, quando atores brancos pintavam o rosto para representar pessoas negras de forma caricata e ofensiva, reforçando estereótipos racistas. Hoje, é amplamente repudiada por seu histórico de discriminação e exclusão.

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