O processo de reformulação no departamento de futebol do Flamengo ganhou novos desdobramentos nos bastidores do clube. Após a demissão do técnico Filipe Luís, a diretoria passou a avaliar mudanças também na condução da área esportiva, enquanto o presidente Luiz Eduardo Baptista, o Bap, procura um substituto para o atual diretor de futebol, José Boto.
A movimentação ocorre em meio a um cenário de desgaste interno envolvendo o dirigente português. O trabalho dele passou a ser questionado por integrantes do elenco e por funcionários do clube no dia a dia do Ninho do Urubu. O distanciamento do diretor em relação aos jogadores e os métodos adotados no cotidiano do departamento são apontados como fatores que contribuíram para o ambiente de tensão nas últimas semanas.
Veja as fotosAbrir em tela cheia José Boto, diretor de futebol do Flamengo/Reprodução Bap discursou no palco do evento sobre a temporada multicampeã do FlamengoFoto: Staff Images/CBF Crédito: Fla TV Filipe Luís assumiu a equipe profissional do Flamengo após o sucesso nas categorias de base do clubeFoto: Gilvan de Souza/Flamengo
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Segundo informações publicadas inicialmente pela ESPN, o presidente iniciou sondagens no mercado para definir quem assumirá o comando do futebol rubro-negro. Entre os nomes avaliados inicialmente estava o do ex-zagueiro Fábio Luciano, ídolo do clube e atualmente comentarista esportivo.
A sondagem, no entanto, não avançou. O ex-jogador decidiu não aceitar a proposta para retornar ao futebol profissional neste momento. De acordo com o comunicador conhecido como Paparazzo Rubro-Negro, Fábio Luciano preferiu manter sua atividade na televisão após ter renovado recentemente contrato com a emissora onde trabalha.
Com a negativa, o clube passou a intensificar conversas em torno de outro nome que já vinha sendo analisado nos bastidores: o do ex-volante Edu Gaspar, que construiu carreira executiva na Europa após encerrar a trajetória como jogador.
Bap abriu conversas iniciais com o empresário Kia Joorabchian para entender se o dirigente estaria disposto a trabalhar no futebol brasileiro. Edu Gaspar atualmente exerce função no Nottingham Forest e avalia os próximos passos da carreira, já que está em processo de saída do clube inglês.
Nos bastidores, a diretoria também analisa qual será o formato do departamento de futebol na próxima fase. Uma das possibilidades em estudo é manter um único dirigente com autoridade total sobre o setor, modelo semelhante ao atual. Outra alternativa discutida prevê a divisão de funções entre dois profissionais. Um com perfil executivo e atuação mais voltada ao mercado de transferências e gestão estratégica, e outro com presença mais próxima do vestiário para conduzir a relação com o elenco.
Enquanto essa definição não é tomada, José Boto permanece no cargo. A tendência é que ele siga na função apenas até que o clube finalize a contratação de seu substituto.
Desgaste interno e episódios recentes
O momento mais recente de tensão envolvendo o diretor ocorreu durante o processo de demissão de Filipe Luís. A forma como a decisão foi comunicada gerou repercussão negativa internamente.
Após uma goleada sobre o Madureira no Estádio do Maracanã, Boto teria informado o desligamento ao treinador em uma conversa breve no vestiário. Na ocasião, o dirigente afirmou que se tratava de uma determinação da presidência com a qual não concordava.
A declaração não foi bem recebida pela cúpula do clube. Dias depois, durante a apresentação do novo técnico, Leonardo Jardim, Boto assumiu publicamente a responsabilidade pela decisão e afirmou que havia apresentado ao presidente os motivos que levaram à troca no comando da equipe.
Outro episódio que gerou repercussão ocorreu em uma reunião com o elenco, quando o dirigente classificou os jogadores como “irresponsáveis”, situação que ampliou o desconforto no ambiente interno.
Relação turbulenta desde 2025
O desgaste envolvendo José Boto não é recente. Desde a chegada ao clube, em janeiro de 2025, o dirigente atravessou diferentes momentos de pressão.
Um dos episódios ocorreu após o vazamento de mensagens internas que discutiam a possibilidade de negociar o atacante Pedro por 15 milhões de euros. O caso gerou forte repercussão no ambiente do clube.
Também houve divergências na condução de negociações de mercado, como na tentativa de contratação do atacante Mikey Johnston, operação que acabou vetada pela presidência.
Outra situação que provocou tensão aconteceu no início da temporada, quando o planejamento previa que o time sub-20 representasse o clube nas primeiras rodadas do Campeonato Carioca para permitir maior período de preparação ao elenco principal. Com apenas um ponto conquistado em três partidas, o presidente determinou o retorno antecipado dos profissionais, decisão que causou incômodo tanto em Filipe Luís quanto em José Boto.
Contexto de reformulação
Contratado com a missão de reformular o setor de scouting e modernizar o modelo de contratações do Flamengo, Boto prometeu mudanças estruturais na maneira como o clube atuaria no mercado.
Apesar disso, contratações realizadas com valores elevados geraram questionamentos internos sobre a efetividade do novo modelo de gestão.
Nos bastidores, o dirigente vinha sendo mantido no cargo principalmente pelo apoio da presidência. Com a sequência recente de episódios e o desgaste acumulado, o cenário mudou e a permanência dele passou a ser considerada cada vez mais improvável.
Enquanto o clube analisa a nova configuração do departamento de futebol e busca nomes no mercado, a reformulação iniciada com a troca no comando técnico segue em andamento na Gávea.

