O Olympique Lyonnais é alvo de uma ação judicial que ultrapassa R$ 330 milhões envolvendo a transferência do atacante Igor Jesus, ex-Botafogo, em um caso que se tornou mais um ponto de tensão nas finanças do clube francês. O jogador, embora incluído na negociação, nunca chegou a atuar pela equipe.
ASSISTA AO ATUALIZA JÁ ESPORTE DESTA QUINTA-FEIRA (19/03)
A disputa foi iniciada em Londres por um fundo vinculado à gestora MC Credit Partners, responsável por cobrar valores relacionados à operação. O processo envolve aproximadamente R$ 225 milhões em dívida principal, somados a cerca de R$ 34 milhões em encargos por inadimplência e juros acumulados.
Veja as fotosAbrir em tela cheia Lucas Beraldo na disputa de bola com Igor Jesus do BotafogoFoto: Vitor Silva/Botafogo Igor Jesus foi o autor do gol do Botafogo contra o PSG / Reprodução Igor Jesus foi o autor do gol do Botafogo contra o PSG / Reprodução
Voltar
Próximo
Leia Também
Esportes
“Até logo”: Igor Jesus confirma saída do Botafogo para clube inglês após o Mundial
Esportes
26 vagas, 46 candidatos: como está a disputa por vaga na Seleção para a Copa do Mundo?
Notícias
Advogado explica por que pai de Oruam, Marcinho VP, será solto em breve
Esportes
Ancelotti avisa sobre convocação da Seleção Brasileira: “Não é uma lista definitiva”
A transação está inserida em um contexto de relações internas dentro da Eagle Football Holdings, conglomerado que controla tanto o Lyon quanto o Botafogo e que é ligado ao empresário John Textor. A negociação previa o pagamento parcelado pela transferência do atleta, mas o não cumprimento de uma das etapas desencadeou a disputa judicial.
Acordo reestruturado e inadimplência
Documentos do processo indicam que o contrato inicial foi firmado em outubro de 2024, estabelecendo a transferência de Igor Jesus por 35 milhões de euros, valor que seria quitado em duas parcelas. A primeira delas, prevista para poucos dias após a assinatura, não foi paga.
Diante da pendência, o Botafogo buscou antecipar o recebimento por meio de um fundo de crédito, transferindo os direitos sobre a dívida. Em dezembro do mesmo ano, houve uma reestruturação do acordo, com o Lyon assumindo o compromisso de pagar cerca de R$ 222 milhões em três parcelas anuais, com vencimentos até 2027.
Ainda assim, o clube francês não efetuou o pagamento da primeira parcela dentro do prazo estipulado. Segundo a ação, a pendência também não foi regularizada após o período adicional de 30 dias concedido, o que levou o fundo a exigir judicialmente o valor integral da operação.
Modelo de negócios sob análise
O episódio ocorre em meio a discussões sobre estruturas de multipropriedade no futebol, modelo no qual grupos controlam diferentes clubes e realizam negociações internas de atletas e ativos financeiros. Nesse tipo de operação, direitos econômicos e receitas futuras podem ser utilizados como garantia em acordos com instituições de crédito.
A ação também surge em um momento de instabilidade para o Lyon, que recentemente enfrentou risco de sanções administrativas em função de dificuldades financeiras e elevado nível de endividamento. Em meio a esse cenário, a empresária Michele Kang assumiu a presidência do clube no ano passado, substituindo John Textor na gestão.
Procurados pelo O Globo, representantes do Lyon, do empresário e do fundo responsável pela ação não se manifestaram. O Botafogo, por sua vez, informou que não comentaria o caso.

