A eleição que elegeria Reinaldo Carneiro Bastos para mais um mandato à frente da Federação Paulista de Futebol (FPF) foi suspensa pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP). O pleito estava marcado para a próxima quarta-feira (25/03) e tinha o atual mandatário como candidato único.
Segundo a jornalista Monica Bergamo, da Folha de S. Paulo, a decisão foi tomada pela desembargadora Débora Vanessa Caús Brandão que concedeu, de forma parcial, um pedido da Liga Mauaense de Futebol, responsável por organizar torneios de várzea na cidade de Mauá, na Grande São Paulo.
A magistrada considerou haver “risco institucional concreto” caso o pleito ocorra sob o novo estatuto, que ampliou o limite de reeleições para a presidência da FPF. Segundo a liga autora da ação, o tema não havia sido debatido formalmente em assembleia geral, por mais que houvesse sido registrado em uma ata. A liga mauaense também alega que houveram irregularidades na convocação do pleito.
Veja as fotosAbrir em tela cheia Reinaldo Carneiro BastosReprodução/Instagram: @fpf_oficial Reinaldo Carneiro Bastos, presidente da Federação Paulista de FutebolReprodução/X: @FPF_Oficial Reprodução/Raul Baretta/ Santos FC
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A FPF se pronunciou e afirmou que irá recorrer da ação para “se fazer respeitar a vontade da totalidade dos clubes e ligas regulares e que têm direito a voto”.
Além da suspensão do pleito, Reinaldo Carneiro Bastos é alvo de um inquérito da Polícia Civil de São Paulo (23º Distrito Policial de Perdizes) por uma suposta gestão fraudulenta, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro à frente da FPF.
De acordo com a investigação, Reinaldo Carneiro Bastos estaria envolvido na venda de uma empresa de limpeza por R$ 15,5 milhões. Desses, R$ 11,5 milhões foram pagos em espécie, o que os promotores consideram uma “circunstância atípica e incompatível com práticas comerciais usuais”.
O Portal LeoDias também revelou um outro caso o presidente da FPF é investigado envolvendo irregularidades em um contrato de patrocínio de R$ 7 milhões da Petrobras com a entidade. Segundo documentos aos quais nossa reportagem teve acesso, a Petrobras pode ter sido induzida ao erro ao firmar o contrato, supostamente em desacordo com a Lei Geral do Esporte (Lei nº 14.597/2023), que regula o repasse de recursos públicos a entidades esportivas.
Além de Reinaldo Carneiro Bastos, o vice-presidente da FPF, e tetracampeão do Mundo com a Seleção em 1994, Mauro Silva, também é investigado. A irregularidade teria surgido justamente na mudança estatutária que permitiu Reinaldo Carneiro Bastos ser reconduzido ao cargo por mais de 3 mandatos, o que tornaria a entidade inelegível para receber recursos federais.

