O ex-sargento da Polícia Militar do Acre, Erisson de Melo Nery, foi absolvido novamente pela morte do adolescente Fernando de Jesus, de 13 anos. O julgamento ocorreu nesta quinta-feira (5), durante sessão do júri popular realizada na 1ª Vara do Tribunal do Júri, em Rio Branco.
Nery voltou ao banco dos réus após a anulação da condenação anterior. Ao final do julgamento, os jurados decidiram pela absolvição do ex-militar. Nas redes sociais, ele comemorou o resultado ao lado dos advogados. Em uma publicação, escreveu: “A Justiça não demora, ela vem no tempo certo, ensina todas as lições necessárias, prepara o coração para sua chegada. Toda honra e glória a Deus”.
O julgamento começou por volta das 8h e contou com o depoimento de cinco testemunhas indicadas pelo Ministério Público do Acre (MP-AC) e outras dez apresentadas pela defesa.
De acordo com o advogado Wellington Silva, que atuou na defesa de Nery, a estratégia foi sustentar a tese de legítima defesa. Ele explicou que o ex-sargento chegou a este novo julgamento respondendo apenas pelo crime de homicídio, já que a acusação de fraude processual, discutida anteriormente, não foi confirmada.

Segundo o defensor, as provas apresentadas durante o júri ajudaram a sustentar a versão da defesa. Entre elas, estavam depoimentos de testemunhas, laudos periciais e a análise balística da arma que estaria com o adolescente.
“A balística confirmou que a arma portada pelo adolescente estava apta para disparos. Além disso, a perícia no local e testemunhas que presenciaram a invasão da casa reforçaram a tese de legítima defesa. Com isso, os jurados acolheram os argumentos da defesa e ele foi absolvido”, afirmou o advogado.
O Ministério Público, por sua vez, sustentou durante o julgamento que Nery teria agido com excesso, destacando a quantidade de disparos efetuados e o fato de a vítima ter apenas 13 anos.
Condenação anterior foi anulada
Em novembro de 2024, Erisson Nery havia sido condenado a oito anos de prisão em regime semiaberto pelo homicídio do adolescente. Na mesma decisão, o outro acusado no processo, Ítalo de Souza Cordeiro, foi absolvido da acusação de fraude processual.
Na sentença, o juiz havia aumentado a pena em um terço pelo fato de a vítima ser menor de 14 anos. Mesmo assim, o ex-sargento respondia ao processo em liberdade.
Posteriormente, em maio de 2025, a Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Acre (TJ-AC) anulou essa condenação após recurso apresentado pela defesa. Os advogados argumentaram que o Ministério Público utilizou provas que não estavam incluídas no processo, o que teria comprometido o julgamento.
Relembre o caso
Segundo a denúncia, o crime ocorreu na manhã de 24 de novembro de 2017, no Conjunto Canaã, no bairro Areal, em Rio Branco. Na ocasião, o adolescente teria tentado furtar a residência do ex-sargento quando foi atingido por pelo menos seis disparos.
Ainda conforme a acusação apresentada na época, após o crime, Nery e o então colega de farda Ítalo Cordeiro teriam alterado a cena, lavando o corpo da vítima e o local onde ela estava caída para sustentar a versão de legítima defesa.
Durante o processo, a mãe do adolescente, Ângela Maria de Jesus, chegou a relatar que o filho enfrentava problemas com dependência química, mas afirmou que ele não era agressivo e não representava ameaça ao ex-policial.
O caso ganhou grande repercussão no estado ao longo dos anos e voltou a ser debatido após a anulação da condenação e a realização de um novo julgamento.