A demissão de Filipe Luís do comando do Flamengo, oficializada após a goleada sobre o Madureira pelo Campeonato Carioca, foi apenas o desfecho público de uma decisão que já estava tomada nos bastidores. Segundo apuração exclusiva do portal LeoDias, o treinador vinha percebendo o desgaste com a diretoria.
Em áudio que circula entre dirigentes e grupos de torcida, o presidente do clube, Luiz Eduardo Baptista, o BAP, assumiu a responsabilidade pela saída do técnico. Na gravação, ele compara a situação a “pegar um trem errado” e afirma que, ao entender que o trabalho não levaria o Flamengo ao patamar desejado, decidiu intervir em nome da instituição.
Veja as fotosAbrir em tela cheia Filipe LuísFoto: Adriano Fontes/Flamengo Bap discursou no palco do evento sobre a temporada multicampeã do FlamengoFoto: Staff Images/CBF Filipe Luís assumiu a equipe profissional do Flamengo após o sucesso nas categorias de base do clubeFoto: Gilvan de Souza/Flamengo Luiz Eduardo Baptista, o Bap, presidente do Flamengo em reunião do Conselho Deliberativo do clubeReprodução: Mariana Sá/Flamengo José Boto, diretor de futebol do FlamengoFoto: Marcelo Cortes/CRF
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A comunicação da demissão foi feita pelo diretor de futebol José Boto, a pedido do presidente, logo após a entrevista coletiva no Maracanã, na noite desta última segunda-feira (2/3).
A maior informação revelada é que Filipe Luís tinha consciência de que o clima com BAP não era favorável. Pessoas próximas relatam que, no momento em que recebeu a notícia da demissão, que ocorreu numa pequena sala do estádio, ouviu de Boto que o dirigente “não queria isso”. A reação do treinador foi imediata: ao deixar o local, disse que não ficaria “ouvindo história do Boto afirmando que queria sua permanência”.
A tentativa de contratação de Leonardo Jardim já vinha sendo elaborada pela diretoria do clube. Quando BAP teve a certeza da possibilidade de fechar o negócio com o português, decidiu por demitir Filipe Luís, mas não seria prudente no mesmo dia da partida, isso abalaria o elenco.
Para evitar uma crise, a diretoria optou por deixar o jogo acontecer normalmente e só formalizou a demissão depois.
O desgaste entre comissão técnica e diretoria remete ao processo de renovação contratual. As negociações se arrastaram por meses e quase terminaram sem acordo. O novo vínculo foi assinado apenas em 29 de dezembro, com validade até 2027, mas durou pouco mais de dois meses. Filipe teria se sentido exposto por vazamentos de informações, enquanto a diretoria avaliava que ele poderia ter cedido mais na parte financeira.
Agora, clube e treinador ainda precisarão negociar a multa rescisória, enquanto o Flamengo seguirá cumprindo com o salário de Filipe Luís até que o treinador assuma outro clube.

