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Fóssil de criatura que viveu há 275 milhões de anos é descoberto no Nordeste do Brasil

Foto: Divulgação / Vitor Silva / Ken Angielczyk / Field Museum

Uma descoberta feita no Nordeste do Brasil chamou a atenção da comunidade científica. Pesquisadores identificaram fósseis de uma criatura pré-histórica que viveu há cerca de 275 milhões de anos, durante o período Permiano. A espécie recebeu o nome de Tanyka amnicola.

O animal é considerado uma espécie de “fóssil vivo” de sua época, pois pertencia a uma linhagem muito antiga de tetrápodes — grupo de vertebrados com quatro membros que inclui animais como répteis, aves, anfíbios e mamíferos.

A pesquisa foi publicada na revista científica Proceedings of the Royal Society B e se baseia na análise de fósseis encontrados na formação geológica conhecida como Formação Pedra de Fogo, que se estende por áreas dos estados do Maranhão e do Piauí.

Mandíbula incomum intrigou cientistas

Foto: Jason D. Pardo, Claudia A. Marsicano, Roger Smith, Juan Carlos Cisneros, Kenneth D. Angielczyk, Jörg Fröbisch, Christian F. Kammerer, Martha Richter; An aberrant stem tetrapod from the early Permian of Brazil. Proc Biol Sci 1 March 2026; 293 (2066): 20252106. https://doi.org/10.1098/rspb.2025.2106

A identificação da espécie foi possível após a análise de nove mandíbulas fossilizadas, com cerca de 15 centímetros de comprimento, encontradas no leito seco de antigos rios da região.

O que mais chamou a atenção dos pesquisadores foi a estrutura incomum da mandíbula, que apresenta uma torção que faz com que os dentes fiquem voltados para os lados. Inicialmente, os cientistas acreditaram que poderia se tratar de uma deformação causada pela fossilização.

No entanto, como todos os exemplares analisados apresentam a mesma característica, os pesquisadores concluíram que essa anatomia fazia parte da estrutura natural do animal.

Foto: Ken Angielczyk, Field Museum

Além disso, a mandíbula possui pequenas estruturas semelhantes a dentes, chamadas dentículos, que formavam uma superfície parecida com um “ralador”, usada para triturar alimentos.

Animal aquático e alimentação incomum

Com base na análise dos fósseis e de espécies aparentadas, os cientistas estimam que o Tanyka amnicola poderia atingir até cerca de 90 centímetros de comprimento e ter aparência semelhante à de uma salamandra de focinho mais alongado.

As rochas onde os fósseis foram encontrados indicam que o animal vivia em ambientes de água doce, como rios e lagos.

Foto: Vitor Silva e Ken Angielczyk, Field Museum

A estrutura da mandíbula sugere que a espécie se alimentava de pequenos invertebrados ou até de material vegetal, algo considerado incomum entre os primeiros tetrápodes, que geralmente tinham dieta carnívora.

Brasil fazia parte de antigo supercontinente

Na época em que o animal viveu, o território que hoje corresponde ao Brasil fazia parte do supercontinente Gondwana.

Foto: Ken Angielczyk, Field Museum

Para os cientistas, a descoberta ajuda a entender melhor como eram os ecossistemas pré-históricos da região e como os primeiros vertebrados terrestres evoluíram.

Mesmo com a descoberta das mandíbulas, muitos detalhes sobre o animal ainda permanecem desconhecidos, já que outros ossos do esqueleto ainda não foram encontrados, o que mantém parte da história dessa criatura como um mistério para futuras pesquisas.

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