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Guerra no Irã ameaça oferta global de alimentos

Foto: Jornal Nacional/ Reprodução.

A guerra no Irã começa a gerar impactos diretos no abastecimento global de alimentos, afetando rotas marítimas e elevando os custos de insumos agrícolas. Nesta terça-feira (24), a Rússia anunciou a suspensão, por um mês, das exportações de fertilizantes para priorizar produtores locais.

O conflito no Oriente Médio tem provocado mudanças nas rotas de navios cargueiros, aumentando distâncias, tempo de entrega e custos logísticos. Embarcações que transportam alimentos estão sendo obrigadas a contornar regiões de risco, o que encarece o frete e impacta diretamente o preço final dos produtos.

Segundo o Programa Mundial de Alimentos, cerca de 45 milhões de pessoas podem enfrentar a fome caso o preço do petróleo ultrapasse os US$ 100 por barril até junho. O diretor do Serviço de Análise de Segurança Alimentar e Nutricional da agência alertou para o cenário crítico: “Estamos em águas perigosas”.

Um dos exemplos citados envolve rotas entre a Índia e o Sudão. Devido ao risco na região, navios têm percorrido toda a costa africana até o Mediterrâneo antes de seguir para o Mar Vermelho pelo Canal de Suez, adicionando milhares de quilômetros às viagens e semanas de atraso às entregas.

Além disso, os custos com petróleo já subiram cerca de 40%, enquanto o frete marítimo teve aumento de até 20%. Outro fator preocupante é a alta no preço dos fertilizantes, essenciais para a produção agrícola. A ureia, principal fertilizante nitrogenado, registrou elevação próxima de 50%.

A produção desses insumos depende do gás natural, amplamente disponível no Oriente Médio, região diretamente afetada pelo conflito. Antes da guerra, cerca de um terço do comércio global de fertilizantes passava pelo Estreito de Ormuz. Com a crise, fábricas no Golfo reduziram ou interromperam operações.

O professor de agronegócio global do Insper, Marcos Jank, destacou a importância do insumo para a produção agrícola.

“O fertilizante é o alimento das plantas e ele tem que ser aplicado no momento da safra, no momento que começam as chuvas. Se esse produto não chegar a tempo, a gente perde produção”, afirma Marcos Jank.

Ele alertou ainda para o impacto de medidas adotadas por países exportadores. “Quando a gente vê que tem países que estão retendo produtos, isso começa a assustar não só pelo risco de aumento de preço, mas também pelo risco de desabastecimento, coisa que não aconteceu no começo dessa década”, diz Marcos Jank.

O especialista se refere a decisões recentes de países como China e Rússia, que restringiram exportações para proteger seus mercados internos. Atualmente, cerca de 25% dos fertilizantes importados pelo Brasil têm origem russa.

A situação se agrava diante da redução de recursos destinados ao Programa Mundial de Alimentos, que enfrenta cortes em meio ao redirecionamento de verbas globais para áreas de defesa.

Historicamente, a combinação de alimentos caros e escassos tende a aumentar a instabilidade social e política. Embora os impactos mais imediatos sejam sentidos em regiões da Ásia e da África, especialistas alertam que os efeitos da crise podem se espalhar globalmente.

Fonte: G1.

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