Um bebê indígena de apenas 1 ano, da etnia Kaxinawá, morreu na sexta-feira (6) no município de Santa Rosa do Purus, no interior do Acre. A criança teria sofrido uma queda de rede e foi levada posteriormente à unidade de saúde da cidade.
De acordo com informações, ao receber o corpo da criança, o médico plantonista percebeu a presença de hematomas e decidiu acionar a Polícia Civil e a equipe de perícia para investigar as circunstâncias da morte.
Como o município não possui Instituto Médico Legal (IML), o corpo do bebê precisou ser armazenado provisoriamente na delegacia da cidade, dentro de uma caixa térmica com gelo, enquanto aguardava a chegada de um médico legista vindo de Rio Branco. O acesso a Santa Rosa do Purus é feito apenas por via aérea ou fluvial.
Segundo o coordenador do Distrito Sanitário Especial Indígena do Alto Purus (Dsei), Evangelista da Silva de Araújo Apurinã, o corpo foi preservado seguindo as orientações médicas até a realização da perícia. A família da criança aguarda a liberação para realizar o sepultamento.
A Secretaria de Justiça e Segurança Pública do Acre (Sejusp) informou que uma equipe de legistas foi acionada ainda na noite de sexta-feira. Na manhã deste sábado (7), uma aeronave do Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer) levou os profissionais até o município.
O coordenador regional da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), Júnior Manchineri, informou que a Unidade Técnica Local da instituição em Santa Rosa do Purus acompanha o caso para garantir que os direitos da família indígena sejam respeitados.
Ainda segundo o Dsei Alto Purus, o bebê era filho de um agente de saúde indígena da Aldeia Monte Sião. A família havia se deslocado recentemente para a área urbana da cidade por conta do início do período escolar dos filhos.
De acordo com relatos, na última quarta-feira (4), o pai saiu de casa para buscar uma cesta básica na Defesa Civil e deixou o bebê sob os cuidados de uma filha adolescente, de aproximadamente 13 anos. Durante esse período, a criança teria caído da rede.
A situação não foi comunicada imediatamente à mãe. Quando ela retornou e foi amamentar o bebê, percebeu que a criança começou a vomitar. A família tentou cuidar da criança em casa, oferecendo chás e outros cuidados.
Após cerca de dois dias, ao perceber que o estado da criança era grave, os pais decidiram levá-la até a unidade de saúde do município. No entanto, segundo o médico de plantão, o bebê já chegou sem sinais vitais. Ao notar os hematomas no corpo, o profissional decidiu não emitir a declaração de óbito e acionou a polícia para apurar o caso.

