Os casos de Mpox seguem crescendo não somente no Brasil, mas no mundo também. Por aqui, em alguns estados, iniciou a vacinação para grupos prioritários pelo Sistema Único de Saúde (SUS), pois as doses são poucas devido a somente um laboratório do mundo fabricar e disponibilizar para a venda. Para entender melhor a doença, o portal LeoDias conversou com o infectologista Ricardo Kores, que esclareceu todas as dúvidas que cercam o Mpox.
No fim do mês passado, fevereiro, o Ministério da Saúde divulgou mais de 80 casos só neste ano de 2026. “É um cenário que requer muita vigilância, não é motivo de preocupação no momento, não é uma nova epidemia, mas a gente tem que ficar sempre de olho, é um momento em que toda cautela é pouca”, garantiu o especialista.
Veja as fotosAbrir em tela cheia Pessoa com MpoxDivulgação Lesões na pele causadas pelo Mpox, infecção provocada pelo vírus monkeypox, pertencente ao mesmo grupo da varíola Lesões na pele causadas pelo Mpox, infecção provocada pelo vírus monkeypox, pertencente ao mesmo grupo da varíolafreepik Lesões na pele causadas pelo Mpox, infecção provocada pelo vírus monkeypox, pertencente ao mesmo grupo da varíolaFreepik
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O Mpox é uma infecção viral que causa mal-estar, dor de cabeça, febre, gânglios aumentados (ínguas) e lesões na pele. “Era chamado de varíola dos macacos porque ela pode ser passada também de animais para o ser humano, mas para não cometer esse entendimento errado de que só os animais que passam ou que o macaco que é o problema, acabou mudando o nome para Mpox”, disse o médico.
O vírus do Mpox pertence à mesma família da varíola
A varíola é considerada erradicada e tinha uma mortalidade muito maior, uma transmissão mais fácil por gotículas, pela via aérea, que hoje sabe-se que a Mpox não é assim. “Ela é muito mais tranquila do que a varíola, claro, mas pertence à mesma família de vírus, sim”, explicou.
Tipos do vírus
Existem diferentes tipos. Tem o tipo 1 que chama clado e o clado 2. O surto de 2022 foi de clado 2 e os novos casos de 2026 é do clado 2. O clado 1 aparece mais em África, na região do Congo, é mais para viajante que a vigilância é mais importante, não é uma transmissão que ocorreria aqui no Brasil.
Primeiros sintomas
O Mpox, de início, costuma ter sintomas de uma infecção viral qualquer, como mal-estar, dor de cabeça, febre, gânglios inchados (ínguas), dor nos músculos. “E aí, isso é o que a gente chama de pródromo de uma infecção viral. O que leva a pessoa a suspeitar e falar para o médico que a gente suspeita da Mpox, são as lesões clássicas no corpo. Essas lesões podem ser disseminadas ou ficar em alguns locais só, serem únicas ou serem várias”, afirmou.
“E são umas lesões que parecem uma espinhazinha vermelhinha, depois enchem de secreção de pus e depois ficam pretinhas na região central. Na fase de cicatrização, elas viram ‘casquinhas’. Elas desenvolvem todas essas fases e qualquer feridinha diferente no corpo, que não está indo embora, uma feridinha que veio depois desses sintomas, desse mal-estar, febre, ou às vezes, mesmo sem ter esses sintomas antes, que às vezes são bem leves, às vezes passam até despercebidos, mas qualquer ferida no corpo, diferente, que não está indo embora, que não é o normal, vamos supor, uma pessoa alérgica, que já costuma ter uma urticária, alguma lesãozinha na pele, mas lesões diferentes requer vigilância, requer uma busca do atendimento médico para fazer o exame inicialmente”, destacou.
Diagnóstico
O exame para detectar é realizado por PCR. É preciso coletar material para enviar para análise feita em laboratório para verificar se é positivo ou não. É a mesma técnica para a detecção de COVID.
Evolução das lesões na pele e transmissão
Segundo relatos, a doença passa a transmitir no momento de sinais específicos, o mal-estar e a febre, já pode ter o risco de transmissão, mas é muito mais frequente a transmissão quando tem as lesões até o momento de virar “casquinha”.
Como ocorre a transmissão
A literatura aponta que a transmissão pode ser por gotículas, contato próximo de pele. “Mas o que realmente ocorre é principalmente pelo contato íntimo, contato direto com essas lesões de pele, na relação sexual, no contato íntimo e prolongado, é onde muito provavelmente ocorre a transmissão. Alguns autores já consideram o Mpox uma infecção sexualmente transmissível, uma IST”, declarou.
“Os grupos que apresentam maior risco são as pessoas sexualmente ativas… a gente acaba falando não em grupo de risco, mas em comportamentos de risco… idosos, crianças, pessoas com alguma comorbidade que deixa o sistema imunológico enfraquecido, por exemplo, HIV, AIDS, câncer, alguma doença já de pele, uma psoríase, uma doença autoimune, que já deixa a pele enfraquecida, esses grupos merecem a maior atenção”, completou.
Tratamento
Não existe remédio para o Mpox no Brasil. Tem uma medicação a nível de pesquisa usada nos Estados Unidos, o Tecovirimat, que é um antiviral, mas que não teve bons resultados.
“A pessoa vai ter essas lesões que podem ser acompanhadas de muita dor, principalmente se for região de mucosa, no pênis, vulva, vagina, ânus, boca, e a gente acaba tratando com medicamentos para melhorar a dor, aliviar a coceira e assim que é o tratamento. Em alguns casos, antibióticos, se a barreira cutânea for comprometida e tiver uma infecção bacteriana secundária, e depois algumas técnicas para cicatrização da ferida, às vezes cicatriza bem, mas às vezes precisa de alguns cuidados extras com alguns cremes cicatrizantes, às vezes laser porque pode ficar cicatrizes”, detalhou.
Como diferenciar o Mpox de doenças que causam lesões na pele
A diferenciação é difícil. A catapora e a varicela têm lesões muito semelhantes, mas que têm vários estágios ao mesmo tempo. O paciente pode ter uma espinha e pústula [bolha na pele] ao mesmo tempo, já uma “casquinha”, isso tudo ao mesmo tempo em um só paciente no mesmo momento. Na Mpox não necessariamente é assim, ele segue as fases.
Herpes tem lesões, parece espinha, mas ela é mais dolorosa, normalmente são lesões mais agrupadas e confunde, por isso a importância do exame laboratorial.
Quando procurar atendimento médico
“Para ser feito o diagnóstico, é importantíssimo procurar atendimento médico, mesmo que a pessoa esteja bem, até para documentar os casos, para a gente ver como está a situação do país, e é considerada internação se for uma doença disseminada com muita dor, muita proctite [dor na região anal], a pessoa não consegue evacuar, muita dor no pênis, não consegue urinar direito, muita edema, muita inflamação e inchaço no pênis ou nos órgãos genitais”, disse.
Principais erros que as pessoas cometem ao suspeitar
O erro é cutucar, querer espremer, apertar, raspar, usar sabonete mais forte, tudo isso é errado. As pessoas têm a suspeita, então precisam tomar muito cuidado. Evitar compartilhar roupa de cama, lençóis e toalha de banho. Evitar o contato íntimo com outras pessoas.
Prevenção
Lavagem de mãos, evitar contato íntimo com alguém que tem alguma lesão no corpo. “E claro, se tivermos a vacina mais facilmente disponível, ou quem faz parte desses grupos prioritários, procurar o seu médico, conversar, porque essas pessoas já fazem acompanhamento médico por essas condições de saúde, que enfraquecem o sistema imunológico e perguntar onde é que está tendo vacina”, finalizou o infectologista.

