A presença feminina na Polícia Militar do Acre (PMAC) tem se consolidado ao longo dos anos, marcando uma trajetória de desafios, conquistas e ampliação de espaço dentro da segurança pública. Se no passado a carreira militar era vista quase exclusivamente como masculina, hoje cada vez mais mulheres ocupam funções estratégicas e operacionais na corporação.
Atualmente, a PMAC conta com 302 mulheres em atividade, o que representa cerca de 13% do efetivo total, formado por aproximadamente 2.340 policiais militares. O avanço é resultado de décadas de mudanças institucionais e da atuação de mulheres que abriram caminho dentro da corporação.
Durante o Mês da Mulher, histórias como as da coronel Margarete de Oliveira, da soldado Jucyellen Lima do Nascimento e da aspirante Lourdes Sampaio mostram diferentes momentos dessa trajetória e como a participação feminina vem transformando a instituição.

As primeiras mulheres na corporação
A entrada oficial de mulheres na Polícia Militar do Acre ocorreu em 1985, quando a corporação abriu pela primeira vez vagas para candidatas. Entre as cinco aprovadas estava Margarete de Oliveira Melo, que mais tarde se tornaria coronel da instituição.
Ao ingressar na carreira militar aos 22 anos, Margarete enfrentou um ambiente predominantemente masculino e relembra que a aceitação da presença feminina no quartel não foi imediata. Mesmo diante das dificuldades, ela seguiu carreira e conquistou diversos marcos históricos.
Entre os feitos, tornou-se a primeira oficial feminina do Acre, além de ser a primeira aspirante, primeira tenente e primeira capitã da corporação. Ao longo da carreira, também foi a primeira mulher a dirigir uma viatura da PM, a comandar um batalhão e a chefiar o gabinete militar responsável pela segurança do chefe do Executivo estadual.
Atualmente, a coronel atua no Tribunal de Justiça do Acre (TJAC), desenvolvendo projetos voltados à inclusão social.
Avanços institucionais
Segundo a comandante-geral da PMAC, coronel Marta Renata Freitas, o cenário acreano acompanha uma realidade observada em todo o país. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública indicam que a presença feminina nas polícias militares brasileiras ainda permanece abaixo de 13%.
Mesmo assim, a participação das mulheres representa um avanço importante quando comparada ao início da inserção feminina nas corporações militares.
Durante muitos anos, as policiais tinham limitações na progressão de carreira, já que existiam quadros separados para homens e mulheres. Mesmo passando pelos mesmos concursos e cursos de formação, elas só podiam alcançar o posto de capitão. A unificação das carreiras ocorreu apenas em 1998, permitindo que as mulheres disputassem os mesmos cargos e promoções.
Outro marco recente foi a posse de Marta Renata como primeira mulher a assumir o comando-geral da Polícia Militar do Acre, em dezembro de 2024. Na ocasião, o governador Gladson Cameli destacou que a escolha representava o reconhecimento da experiência e da trajetória profissional da oficial.
Mulheres também na linha de frente
Além de ocupar cargos de comando, as mulheres também têm ampliado a presença em unidades operacionais da corporação.
Um exemplo é a soldado Jucyellen Lima, que concluiu recentemente o curso da Rondas Ostensivas Táticas Metropolitanas (Rotam), uma das formações mais exigentes da Polícia Militar. Ela foi a única mulher da turma a concluir o treinamento, que durou cerca de três meses e incluiu atividades físicas intensas e capacitação tática.
Segundo a militar, hoje existe maior incentivo para que mulheres participem de cursos especializados e assumam funções operacionais dentro da instituição.
Nova geração de oficiais
Enquanto algumas policiais já ocupam posições de destaque, uma nova geração também começa a trilhar carreira na corporação. É o caso da aspirante Lourdes Sampaio, que se destacou em sua turma de formação de oficiais.
A militar explica que o processo de formação exige preparação física, dedicação acadêmica e desenvolvimento emocional para lidar com as responsabilidades da carreira.
Para ela, a presença feminina contribui para ampliar as perspectivas dentro da instituição, trazendo novas formas de liderança e tomada de decisão.
Ao longo de quase quatro décadas, a participação feminina na Polícia Militar do Acre evoluiu de um pequeno grupo pioneiro para uma presença cada vez mais consolidada. O que começou com apenas cinco mulheres, em 1985, hoje representa um movimento contínuo de ocupação de espaços, qualificação profissional e reconhecimento dentro da segurança pública.