Tem coisa que não bate — e quando não bate, o povo percebe.
Há poucos dias, a Prefeitura de Sena Madureira precisou fazer um verdadeiro “malabarismo” no orçamento para garantir um repasse de R$ 800 mil à Câmara Municipal. O dinheiro, segundo o decreto, foi destinado para custear auxílio alimentação e auxílio saúde dos servidores, além de manter o funcionamento da Casa.
Até aí, tudo dentro do jogo. O detalhe é que, para isso acontecer, foi preciso cortar despesas de outras áreas. Ou seja, o discurso era claro: era preciso ajustar, reorganizar, apertar daqui pra garantir ali.
Mas eis que, pouco tempo depois, vem outra informação que chama atenção.
A própria Câmara firmou um contrato de R$ 533.593,27 para fornecimento de combustíveis. Mais de meio milhão de reais.
E aí começa o questionamento que muita gente já está fazendo nas ruas, nos grupos e nos bastidores: afinal, qual é a real situação financeira do Legislativo?
Se houve necessidade de remanejar recursos recentemente, com cortes em áreas como diárias, consumo e vencimentos, como agora há espaço para um contrato tão alto?
Não se trata aqui de dizer que há irregularidade. O contrato, ao que tudo indica, seguiu os trâmites legais. Mas legal nem sempre significa razoável — e é justamente aí que entra o debate público.
Quantos veículos oficiais a Câmara possui para justificar um gasto desse porte? Qual é o consumo médio mensal? Existe algum tipo de controle rigoroso desse abastecimento?
Ou estamos diante de mais um daqueles casos em que o gasto é tratado como algo “normal”, simplesmente porque sempre foi assim?
O problema é que o cidadão comum não vive essa mesma realidade. Enquanto o poder público fala em contenção, equilíbrio e responsabilidade, o que chega para quem está do outro lado é uma conta que não fecha.
E quando a conta não fecha, o desgaste é inevitável.
No fim das contas, não é só sobre combustível. É sobre prioridade. É sobre coerência. E, principalmente, sobre transparência.
Porque uma coisa é certa: hoje em dia, nada passa despercebido.

