Se tem uma participante que conseguiu reescrever a própria narrativa dentro do “BBB 26”, essa participante é Gabriela. No início do jogo, ela parecia seguir um caminho já conhecido do reality: a da jovem leve, um pouco ingênua, que flertava com uma postura mais infantilizada; quase como quem tenta se proteger do ambiente hostil da casa. Mas bastaram algumas semanas para essa imagem começar a ruir.
E não foi de forma sutil. Gabriela simplesmente mudou. Ou melhor: deixou de sustentar um personagem. Hoje, ela é uma das participantes que mais se coloca no jogo. Já discutiu com praticamente todo o elenco, não foge de confronto e, principalmente, não recorre ao papel de vítima; um recurso comum e muitas vezes eficiente dentro do reality. Ela prefere o embate direto, sem rodeios, assumindo o risco de se indispor com a casa inteira.
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E é justamente aí que mora o ponto mais interessante da trajetória dela. Apesar do histórico de conflitos, Gabriela tem um dado que chama atenção: pouquíssimos votos e nenhuma ida ao paredão até agora. Em um jogo em que “quem briga muito vira alvo” costuma ser regra, ela virou exceção.
Isso revela mais sobre a leitura coletiva da casa do que sobre ela em si. Gabriela pode até gerar desgaste nas relações, mas não é vista como ameaça prioritária. Pelo contrário: há uma percepção de que ela expõe o jogo dos outros. Ao bater de frente com aliados e ex-aliados, ela desmonta narrativas, cria atritos e movimenta a casa — e isso, no fim das contas, interessa a muita gente.
Do lado de fora, o efeito é ainda mais claro: ela virou entretenimento puro. A participante que antes poderia passar despercebida hoje concentra momentos decisivos, rende assunto nas redes e provoca reações — positivas e negativas — com a mesma intensidade. E, no “BBB”, ser relevante vale mais do que ser amado.
Existe também um outro fator importante: Gabriela não parece jogar para agradar. Ela não mede tanto o impacto das próprias falas e atitudes, o que dá a sensação de autenticidade — mesmo quando exagera. E autenticidade, no reality, costuma ser uma moeda valiosa.
No fim, Gabriela se transformou em algo raro: uma jogadora que briga, se expõe, erra, acerta e, ainda assim, não vira alvo imediato. Se continuar nesse ritmo, ela pode não só seguir escapando do paredão como também eliminar, um a um, aqueles que um dia estiveram ao lado dela.

