A Diretoria de Crimes Cibernéticos da Polícia Federal (PF) derrubou perfis em redes sociais e abriu inquérito para investigar a trend ”caso ela diga não’. A informação foi confirmada ao blog nesta segunda-feira (9), e a PF deu início a uma ofensiva para desarticular a propagação desses conteúdos, que incitam a violência contra mulheres.
Vídeos publicados por jovens mostram encenações de reação violenta à negativa em pedidos de namoro ou casamento, com simulações de socos e golpes com faca. No Rio, uma jovem que recusou um homem foi esfaqueada mais de 15 vezes e sobreviveu após quase um mês internada.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/Z/S/FUGhRDRwqLA48UcS3G4A/capa-8-.png)
Na terça-feira (10), a Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados vai votar um requerimento para a Procuradoria-Geral da República (PGR) investigar a publicação viral.
O pedido, de autoria do deputado Pedro Campos (PSB-PE), é para a PGR tomar as medidas necessárias à responsabilização criminal por apologia à violência.
Em entrevista ao GloboNews Mais, o deputado afirmou que conduta de influenciadores é “apologia ao crime” e aponta “crise da masculinidade” como combustível para violência digital.
“O que temos visto é uma reação completamente absurda à ocupação de espaços de poder pelas mulheres. Os homens estão perdendo aquele papel de únicos provedores e comandantes, e a resposta é atualizar o machismo e o patriarcado para o século 21 através da internet”, afirmou Campos.
Além da punição individual aos influenciadores, Pedro Campos defende que a investigação da PF e o avanço da PGR foquem na estrutura das empresas de tecnologia.
“É fundamental entender o que essas plataformas estão fazendo para coibir que esse tipo de conteúdo circule. Não podemos permitir que a disseminação de ideias que geram comportamentos violentos seja lucrativa ou facilitada pela falta de moderação”, disse o deputado.
‘Treinando caso ela diga não’
A trend que circula no TikTok com a frase “treinando caso ela diga não” ganhou força nas redes sociais e tem gerado repercussão nas últimas semanas.
Nos vídeos, os criadores simulam situações de abordagem romântica, geralmente um pedido de namoro ou casamento. Em seguida, aparece a frase “treinando caso ela diga não” ou variações semelhantes.
Depois da legenda, os autores encenam reações agressivas diante da possibilidade de rejeição. Em muitos casos, as simulações incluem socos em objetos, movimentos de luta ou golpes com faca.
Reportagem do g1 analisou vinte vídeos divulgados na plataforma, publicados entre 2023 e 2025. Os posts são de perfis de 883 até 177 mil seguidores, e acumulam mais de 175 mil interações na plataforma.
Isso ocorre em um contexto de recorde de feminicídios e escalada de violência contra as mulheres. O Brasil registrou recorde de feminicídios em 2025. Ao todo, 1.470 mulheres foram mortas por esse tipo de crime no país ao longo do ano, segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública.
Procurado, o TikTok enviou uma nota informando que o conteúdo viola as Diretrizes da Comunidade e foram removidos da plataforma assim que identificados.