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Presidente da CPMI do INSS compra avião por R$ 1,5 milhão

Documentos obtidos pela coluna mostram que o presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do Instituto Nacional do Seguro Social (CPMI do INSS), Carlos Viana (Podemos-MG), desembolsou R$ 1,5 milhão para comprar um avião por meio da Fazenda Salto Grande Ltda, da qual é sócio-administrador.

A cifra chama a atenção, uma vez que salta 4,5 vezes em relação aos RS 330 mil pagos pelo proprietário anterior três anos antes.

Certidão de inteiro teor da aeronave
Certidão de inteiro teor da aeronave comprada pelo presidente da CPMI do INSS

Viana adquiriu a aeronave EMB-810D (Seneca III), prefixo PTR-VD, em abril de 2025 e a quitou seis meses depois. Trata-se de um modelo bimotor, produzido em 1984 e registrado para voos privados e para transporte de pequeno porte.

A Fazenda Salto Grande fica em Verdelândia, no norte de Minas Gerais. O capital social da propriedade registrado junto à Receita Federal é de R$ 400 mil. Em 2024, Carlos Viana declarou patrimônio de R$ 3,5 milhões.

Confira o histórico do avião pertencente ao presidente da CPMI do INSS:

  • Outubro de 1984: começa a vida útil do avião;
  • Novembro de 1987: vendida por 7,1 milhões de cruzados;
  • Outubro de 1993: comprada por 6,5 milhões de cruzeiros reais;
  • Dezembro de 1994: transferida 93.150 cruzeiros reais;
  • Janeiro de 1996: vendida por R$ 80 mil;
  • Novembro de 1996: adquirida por por R$ 60 mil;
  • Maio de 1997: vendida por R$ 156,6 mil;
  • Novembro de 1998: comprada por R$ 114 mil para ser alugada por R$ 29.988,90 por mês;
  • Junho de 2000: empresa assumiu a propriedade definitiva após o fim do contrato com o pagamento simbólico de R$ 1 e vendeu por R$ 150 mil;
  • Março de 2002: transferida por R$ 150 mil;
  • Abril de 2007: vendida por R$ 130 mil;
  • Novembro de 2011: comprada por R$ 150 mil;
  • De 2012 a 2019: contrato de aluguel;
  • Setembro de 2022: vendida por R$ 330 mil;
  • Abril de 2025: Viana compra a aeronave por R$ 1,5 milhão em nome da fazenda.

A certidão de inteiro teor não esclarece as razões técnicas ou comerciais para que o preço da aeronave mais que quadruplicasse em três anos. Há o histórico jurídico e os valores declarados nas transações, sem detalhes sobre o estado de conservação ou eventuais melhorias.

À coluna, o piloto Antonio Tadeu da Silva, que vendeu a aeronave para o presidente da CPMI do INSS, atribuiu a valorização à realização de revisões gerais que estariam pendentes há anos, período em que o avião teria ficado parado por falta de manutenção. Também afirmou que a transação ocorreu por meio de empresas homologadas pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e dentro do Registro Aeronáutico Brasileiro (RAB), com intermédio de um site de compra e venda e de um corretor.

“Comprei praticamente uma sucata, que virou novamente um avião”, assinalou o piloto, que é sócio-administrador que uma empresa que aluga aeronaves.

Segundo Antonio Tadeu, a revitalização incluiu a compra de peças, a troca de pneus e do painel de instrumentos e a revisão geral dos motores e das hélices, entre outros. “No final, [a manutenção] custou mais do que o valor final vendido.” O piloto disse que o pagamento ocorreu por meio de um depósito bancário e da transferência de um avião monomotor. Quando questionado, não deu detalhes.

O que diz o presidente da CPMI do INSS

Leia a íntegra da nota de Viana:

“A aeronave mencionada foi adquirida de forma regular por pessoa jurídica legalmente constituída, da qual o senador é sócio-administrador. A Fazenda Salto Grande Ltda. é uma empresa do setor agropecuário, constituída em 2022, com atividades privadas e regulares. As quotas da empresa estão devidamente declaradas no Imposto de Renda.

É importante esclarecer que a comparação com a remuneração parlamentar desconsidera rendimentos oriundos de atividades empresariais privadas. A utilização da aeronave está vinculada à atividade privada e à logística operacional da empresa.

Quanto aos valores mencionados sobre custos de manutenção, tratam-se de estimativas genéricas que não refletem a realidade operacional da aeronave. Seguimos à disposição para esclarecimentos adicionais.”

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