O líder ambientalista e seringueiro Raimundo Mendes de Barros, de 81 anos, conhecido como Raimundão e primo de Chico Mendes, voltou a ser internado após desenvolver um quadro de pneumonia. Ele foi transferido de Xapuri, no interior do Acre, para o Pronto-Socorro de Rio Branco na noite da última sexta-feira (13).
Segundo informações da família, Raimundão começou a apresentar sintomas de uma forte gripe, que acabou evoluindo para pneumonia. O ambientalista possui diagnóstico de Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), condição que afeta o sistema respiratório e torna o quadro mais delicado. A doença foi agravada ao longo dos anos pela exposição à fumaça da defumadeira — utilizada na produção da borracha — e também pelo hábito de fumar.
De acordo com Ronaira Barros, filha do líder ambiental, Raimundão deu entrada no hospital de Xapuri na segunda-feira (9). Durante o período de internação na unidade do interior, ele teria contraído uma bactéria, o que levou à necessidade de transferência para a capital acreana.
O seringueiro foi levado para Rio Branco em uma ambulância equipada com equipe médica e, desde a madrugada de sábado (14), permanece internado na Unidade de Cuidados Intermediários (UCI) do Pronto-Socorro.
“Ele está reagindo bem, graças a Deus. A bactéria está sendo combatida. Como ele já tem um quadro delicado de DPOC, a gripe acabou evoluindo para pneumonia”, explicou a filha.
Antes de procurar atendimento médico, Raimundão passou alguns dias em casa enfrentando os sintomas da gripe e resistia à ideia de ir ao hospital. A decisão de buscar ajuda foi tomada apenas na segunda-feira, quando o estado de saúde exigiu cuidados médicos.
Trajetória na defesa da floresta

Raimundão é uma das figuras históricas da luta ambiental no Acre. Ele atuou ao lado do líder seringueiro Chico Mendes na defesa da floresta amazônica e dos direitos dos povos da floresta, enfrentando conflitos com fazendeiros interessados na expansão da pecuária e da agricultura na região.
Após o assassinato de Chico Mendes, em dezembro de 1988, em Xapuri, Raimundão continuou a mobilização em defesa da Amazônia e das comunidades tradicionais. Até hoje, mantém atuação próxima de seringueiros, ribeirinhos e moradores da floresta.
O ambientalista também é apontado como um dos idealizadores da Reserva Extrativista Chico Mendes, criada em 1990. A unidade de conservação possui cerca de 931 mil hectares e abriga atualmente mais de 3 mil famílias, que vivem principalmente da atividade extrativista.
Ameaças recentes
Em junho de 2025, durante a Operação Suçuarana, Raimundão chegou a ser alvo de ameaças. A ação tinha como objetivo combater crimes ambientais e pecuária irregular dentro da Reserva Extrativista Chico Mendes.
Produtores rurais da região protestaram contra a operação e passaram a criticar a atuação dos agentes ambientais nas redes sociais. Ao se posicionar em defesa da floresta e da fiscalização, Raimundão acabou sendo alvo de questionamentos e supostas intimidações.
Na época, o Comitê Chico Mendes, administrado pela família do líder seringueiro assassinado, divulgou uma nota pública repudiando as ameaças e manifestando apoio ao ativista.