Seis anos após deixar a Globo, o jornalista Márcio Gomes revelou detalhes inéditos sobre os bastidores de sua decisão. Em entrevista ao “Programa Flávio Ricco”, da LeoDias TV, nesta terça (31/3), o atual contratado da CNN Brasil falou sobre frustrações na antiga emissora. Ele também abordou o impacto da experiência internacional na carreira e a emoção da despedida após mais de duas décadas na empresa.
De acordo com Márcio, o desejo por novos desafios foi determinante para sair da Globo. Após atuar como correspondente na Ásia entre 2013 e 2018, ele retornou ao Brasil com expectativas de crescimento profissional. No entanto, o jornalista foi direcionado inicialmente para o especial “Combate ao Coronavírus” e, depois, para o “SP2”. A movimentação não correspondeu à expectativa inicial.
Veja as fotosAbrir em tela cheia Márcio Gomes conversou com o jornalista Flávio Ricco, da LeoDias TVCrédito: LeoDias TV Márcio Gomes conversou com o jornalista Flávio Ricco, da LeoDias TVCrédito: LeoDias TV Márcio Gomes conversou com o jornalista Flávio Ricco, da LeoDias TVCrédito: LeoDias TV
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“Eu tinha saído do Rio de Janeiro pra ir pra Tóquio, quando eu fazia o ‘RJ2’, adorando a minha cidade, adorando o meu jornalismo local. Por que que eu ia continuar no ‘SP2’?”, questionou. Márcio ainda revelou que chegou a sondar a possibilidade de migrar para um jornal de rede, mas percebeu que não haveria espaço. “A resposta que eu tinha não era ‘não’, verbalmente. Mas eu entendi que era ‘não’”, completou.
Experiência internacional
Para o jornalista, o período como correspondente internacional foi um divisor de águas. Baseado no Japão, ele cobriu grandes acontecimentos e acumulou experiências marcantes. Márcio também contou que a bagagem adquirida foi reconhecida internamente, inclusive por nomes importantes da emissora, como Ali Kamel, então diretor de jornalismo. “A TV Globo ficou pequena para mim. Não que você volte um profissional melhor, mas sim uma pessoa melhor”, afirmou.
Entre as experiências mais impactantes durante o período, ele destacou a cobertura de um tufão devastador nas Filipinas. O fenômeno natural foi um dos ciclones tropicais mais fortes já registrados, com ventos superiores a 300 km/h e deixou mais de seis mil mortos: “Foi uma tragédia enorme. Eu e o câmera estávamos sem comer e dormir. Ficamos três dias e duas noites na cidade mais atingida pelo tufão”.
Convite da CNN
O convite da CNN Brasil veio em meio à pandemia, no final 2020. À época, Márcio havia recém-assumido o “SP2”, telejornal local da capital paulista. O jornalista afirmou que a proposta foi tratada com transparência e contou que procurou seus superiores na Globo de imediato. Apesar do aumento financeiro, a possibilidade de mudança se tornou ainda mais atrativa por outros aspectos.
“A CNN me chamou em uma quarta-feira, na quinta-feira fez proposta, valores e tudo, jornal em rede, discutir com analistas os problemas do Brasil e do mundo. Na quinta de manhã, eu estava na frente do meu chefe na TV Globo falando: ‘Me ofereceram tanto, querem que eu faça isso. O que eu faço?’”, lembrou.
Apesar de a Globo ter feito uma contraproposta financeira, Márcio afirmou que o ponto decisivo foi a falta de perspectiva de mudança de função. “A Globo me ofereceu um pouco mais de dinheiro, mas não me ofereceu nada além do trabalho. Eu continuaria no ‘SP2’. E isso foi decisivo”, revelou.
Despedida da Globo
Após 24 anos na Globo, a saída da emissora foi carregada de emoção. O jornalista relembrou o momento em que deixou a sede da empresa em São Paulo. “Quando eu fechei meu armário do camarim e fui pegar meu carro pra ir embora, eu saí chorando, chorando, sem conseguir me despedir das pessoas. Eu sabia que estava deixando para trás 24 anos”, contou. Apesar da dificuldade naquele instante, ele avalia a decisão de forma positiva: “Foi um dos melhores movimentos que eu fiz na minha vida”.
Na CNN Brasil desde então, Márcio acredita que conseguiu encontrar o espaço profissional que buscava para aplicar toda a experiência acumulada ao longo da carreira, especialmente após sua passagem internacional. Segundo o profissional, o período fora mudou não apenas sua trajetória profissional, mas também sua forma de enxergar o mundo: “Quem puder conhecer o Japão, vá!”.

