O Sindicato dos Médicos do Acre fez duras críticas à estrutura da saúde pública no município de Feijó, destacando a dependência da Secretaria Municipal de Saúde em relação ao Hospital Geral de Feijó para suprir demandas básicas.
De acordo com a entidade, a situação revela fragilidades na atenção básica e uma contradição no discurso adotado pela gestão municipal. Isso porque, ao mesmo tempo em que há críticas ao hospital estadual, a própria secretaria recorre com frequência à unidade para solicitar medicamentos, materiais e outros insumos essenciais.
Documentos reunidos pelo sindicato apontam uma série de pedidos feitos pela prefeitura nos últimos meses. Entre os itens solicitados estão medicamentos para atendimento fluvial, bolsas de colostomia, leite especial, equipos de alimentação, luvas, álcool e diversos materiais considerados básicos para o funcionamento da rede de saúde.
Na avaliação do Sindmed-AC, o cenário demonstra que a administração municipal enfrenta dificuldades para resolver problemas elementares, transferindo parte dessa responsabilidade ao hospital estadual.
Outro ponto destacado é a dificuldade na transferência de pacientes. Atualmente, o encaminhamento de casos mais graves depende da regulação da Secretaria de Estado de Saúde do Acre, além da disponibilidade de ambulâncias e do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). A entidade afirma que a ausência de ambulâncias sanitárias no município tem gerado entraves, levando, inclusive, ao uso de ônibus escolar para o transporte de pacientes.
O sindicato também chama atenção para a situação das unidades básicas de saúde. Segundo dados do Portal da Transparência e do programa federal Mais Médicos, Feijó possui 17 unidades, mas pelo menos sete estariam desativadas, restando apenas dez em funcionamento.
Diante do cenário, o Sindmed-AC defende a necessidade de um novo planejamento para reestruturar a rede básica, ampliar o atendimento e reduzir a sobrecarga sobre o Hospital Geral de Feijó.
Para a entidade, a atual realidade evidencia uma inversão de responsabilidades, na qual o município depende do Estado até mesmo para garantir itens básicos que deveriam ser assegurados pela própria gestão municipal.
