A prisão e posterior soltura do influenciador brasileiro Junior Pena, conhecido por produzir conteúdos voltados à comunidade de imigrantes nos Estados Unidos, provocaram forte repercussão entre seguidores e pessoas próximas nas últimas semanas. Detido pelo serviço de imigração americano no fim de janeiro, ele passou mais de 60 dias sob custódia em Nova Jersey e, no início de abril, informou que deixaria o país após audiência no processo migratório. Em entrevista exclusiva ao portal LeoDias, o amigo de Junior, Elivanio Reis, deu detalhes sobre como está a situação do influenciador após deixar a prisão.
Os dois se conhecem desde 2009, quando Junior chegou aos Estados Unidos. Segundo Elivanio, eles se aproximaram ainda antes da fase de popularidade nas redes sociais, quando o influenciador trabalhou algumas vezes com sua empresa no ramo da construção civil.
Veja as fotosAbrir em tela cheia Junior Pena após ser solto, compartilhando informações aos seguidores em sua nova conta no InstagramReprodução: Instagram/@juniorpena0 Junior Pena ainda nos EUA conversando com a mãe, após deixar a custódia sob decisão judicialReprodução: Instagram/@juniorpena0 Junior Pena ainda nos EUA conversando com a mãe, após deixar a custódia sob decisão judicialReprodução: Instagram/@juniorpena0 Conta do Instagram do influenciador Junior PenaReprodução: Instagram/@juniorpena0 O ICE (Immigration and Customs Enforcement, ou Serviço de Imigração e Alfândega) é a agência federal dos EUA responsável por aplicar leis migratórias dentro do paísReprodução: YouTube/U.S. Immigration and Customs Enforcement
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O caso ganhou ainda mais atenção porque Junior havia se tornado conhecido na internet por comentar imigração, rotina de brasileiros no exterior e por manifestações públicas de apoio à política migratória mais rígida adotada por Donald Trump.
Quando foi abordado pelo ICE, Elivanio relatou ter ouvido de pessoas próximas que o influenciador teria reagido com tranquilidade. “Tudo ocorreu normal”, resumiu, ao afirmar que Junior demonstrou controle emocional no momento em que foi detido. O influenciador foi levado por agentes do ICE e encaminhado ao centro de detenção Delaney Hall, em Newark, Nova Jersey. À época, relatos de amigos indicaram que a detenção teria sido motivada pelo não comparecimento a uma audiência, em meio a um problema administrativo envolvendo seu processo.
Junior mora nos Estados Unidos e construiu presença digital com vídeos sobre a “realidade dos EUA”, acumulando centenas de milhares de seguidores. Ele se tornou uma figura conhecida entre brasileiros no exterior por abordar temas como trabalho, imigração e cotidiano no país, além de fazer entrevistas e quadros de interação com o público.
Porém, na avaliação de Elivanio, a imagem expansiva exibida nas redes não traduz completamente quem o influenciador é fora das câmeras. O amigo o descreve como alguém mais reservado no convívio pessoal, embora também o considere generoso e engajado em ações comunitárias. “O Junior é uma pessoa até muito melhor do que a pessoa da social, porque ele sempre foi um cara muito caridoso. Ele é uma pessoa muito religiosa. Já fez muitas campanhas para poder ajudar o próximo. Então, é uma pessoa que sempre arregaçou as mangas e ajudou. Em rede social, ele nunca mencionou nada sobre esse tipo de coisa, porque ele sabe que política e religião, quando vão a público, são assuntos que acabam dando muita polêmica”, relatou.
Elivanio também afirmou que o influenciador já vinha atravessando um período emocionalmente difícil antes da prisão. Segundo ele, a perda do pai e o peso das polêmicas nas redes sociais teriam abalado Junior nos últimos anos, a ponto de cogitar abandonar temporariamente a internet. Após a detenção, na visão do amigo, esse quadro pode ter se agravado. “Imagino que a situação psicológica dele depois que saiu da prisão deve estar em uma questão delicada”. Elivanio ainda pondera que o influenciador deve precisar de tempo, privacidade e acompanhamento profissional para lidar com os efeitos do período em que ficou preso.
A repercussão do caso foi ampliada pelo posicionamento político de Junior. Em fevereiro, veículos internacionais destacaram a contradição entre a sua defesa pública do endurecimento migratório e o fato de ele mesmo ter acabado detido pelo ICE. A cobertura também apontou que o influenciador, identificado pelo nome completo Eustáquio da Silva Pena Junior, criticava imigrantes irregulares em seus conteúdos e se apresentava como apoiador de Trump. “Quando você está do lado de fora e você tem a possibilidade de responder, as pessoas não falam tanto. Mas como ele está preso e incapacitado de responder a maioria das críticas, então as pessoas aproveitam e criticam bastante. Acho que ele teve um controle emocional muito grande pra poder lidar com essas críticas”, descreveu Elivanio.
Nos últimos dias, a situação do brasileiro mudou. No começo de abril, ele deixou a custódia após decisão judicial, depois de ter passado cerca de dois meses preso. Junior aceitou a saída voluntária do país, o que marcou um novo capítulo no caso. Para Elivanio, a dimensão da história vai além da prisão.
O amigo do influenciador sustenta que Junior teve papel relevante na produção de conteúdo voltado aos brasileiros nos Estados Unidos e ajudou a abrir espaço para outros criadores. Entre os formatos lembrados pelo amigo estão entrevistas com membros da comunidade, dinâmicas em redes sociais e lives de relacionamento que, segundo ele, fizeram sucesso entre seguidores. “Foi o primeiro a começar nessa área”, argumentou. Na leitura de Elivanio, como pessoa próxima, esse alcance ajuda a explicar por que a detenção e a deportação repercutiram com tanta força entre brasileiros que vivem fora do país.

