A Receita Federal registrou um aumento expressivo na apreensão de canetas emagrecedoras ilegais no Brasil. Somente nos dois primeiros meses de 2026, o volume já iguala o total apreendido ao longo de todo o ano de 2025, acendendo um alerta para o avanço do comércio irregular desses produtos.
No Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro, a fiscalização tem intensificado o controle de bagagens, com atenção especial a medicamentos utilizados para emagrecimento. Desde 2024, já foram apreendidas cerca de 2,7 mil unidades naquele ano, 32 mil em 2025 e outras 25 mil apenas no início de 2026. O valor total das apreensões chega a R$ 51 milhões.
Os fiscais têm identificado tentativas cada vez mais sofisticadas de burlar a fiscalização. Há casos de passageiros transportando dezenas de unidades em malas ou escondendo os produtos em locais inusitados, como copos térmicos, caixas de vinho, bancos de veículos e até dentro de motores.
A delegada da Alfândega, Patrícia Moreira, alertou para os riscos envolvidos nesse tipo de prática. “Às vezes, a pessoa traz no próprio corpo para ocultar da fiscalização ou acondiciona de uma forma irregular. Então, não há nenhuma garantia de que aquele produto está intacto”, afirma.
Outro fator que dificulta o controle é a mudança na apresentação dos medicamentos, que agora aparecem em ampolas menores, porém com concentração mais alta do que a permitida no país.
Para especialistas, o consumo desses produtos representa um risco direto à saúde. “Isso é um risco iminente, principalmente por comprometimento da saúde do usuário desse medicamento. Comprometimento renal, entre outros”, diz Norberto Campos, especialista em Vigilância Sanitária (Anvisa).
Além da entrada ilegal, cresce também a oferta desses medicamentos em locais não autorizados, como academias e clínicas de estética. A prática é proibida pela Anvisa.
A endocrinologista Cynthia Valerio reforça que o uso desses produtos deve ser feito apenas com orientação médica. “O paciente não deve entrar nesse comércio, o médico não deve entrar, e não normalizar atitudes erradas”, afirma.
Quem enfrenta o tratamento da obesidade com acompanhamento profissional reforça a importância da segurança. A confeiteira Fernanda Carneiro, que está em tratamento há três anos, destaca o papel do suporte médico. “A gente não vive só da imagem. A gente tem muita coisa por trás. Então, eu acho que a importância de você ter alguém responsável te indicando esses próximos passos faz com que essa caminhada se torne mais leve, mais fácil, talvez.”
Ela também faz um alerta direto sobre a compra desses medicamentos. “Só na farmácia, pelo amor de Deus.”
Com informações do G1.

