Buscas por indígena desaparecido são encerradas no Acre
As buscas por Moisés Melo Barbosa Kaxinawá, de 24 anos, desapareceram sem sucesso após operação realizada pelo Corpo de Bombeiros no município de Jordão, interior do Acre. O jovem indígena sumiu há mais de 15 dias ao sair para caçar nas proximidades da Aldeia Bari, na Terra Indígena Rio Jordão.
A operação foi encerrada no último domingo (19), após cinco dias de atuação das equipes na região. De acordo com o tenente Rosenildo Pires, as condições climáticas adversas, especialmente as chuvas constantes, dificultaram o trabalho e impediram a localização do jovem. “Choveu todos os dias durante a missão. As buscas foram feitas com a guarnição, todavia, não se obteve nenhum vestígio do perdido, o que dificultou ainda mais encontrá-lo”, destacou.
Durante a operação, três militares atuaram nas buscas, com apoio do pai da vítima e outros familiares. Para tentar localizar Moisés, foram utilizados fogos de artifício e até bombas como forma de sinalização, mas sem sucesso. “No quinto dia, os militares e familiares não tinham mais suprimentos. Como não tivemos nenhum vestígio do perdido e, para a segurança de todos, resolvemos encerrar as buscas, visto que a sinalização não teve sucesso e isso dificultou ainda mais encontrá-lo”, acrescentou o tenente.
Quando saiu para a caçada, o jovem levava uma espingarda, um facão e um isqueiro. Inicialmente, o caso foi atendido por equipes de Tarauacá, mas depois passou a ser conduzido por bombeiros de Cruzeiro do Sul, devido a outra ocorrência simultânea na região.
Jovem era liderança
O pai de Moisés, Fernando Barbosa Kaxinawá, afirmou que o filho era experiente na floresta e nunca havia desaparecido antes. “O meu filho ainda está na floresta, mas não conseguimos encontrá-lo. Ele é bom caçador e pescador, nunca tinha feito isso antes”, disse.
Segundo ele, o jovem vivia com a esposa e um filho de 3 anos na aldeia, e aguardava a chegada de mais um filho, já que a companheira está grávida de quatro meses. Moisés também era considerado uma liderança em formação na comunidade. “Ele tem a própria casa aqui na aldeia com a esposa, eles têm um filho de 3 anos e ela ainda está grávida. Ele fazia tudo aqui na aldeia, estava sendo treinado para ser uma liderança e coordenava várias atividades. Eu nunca tinha sentido tanta tristeza, essa é a maior dor da minha vida”, contou.
Fernando acompanhou as buscas e fez um apelo por novas ações para localizar o filho. “Precisamos de mais ajuda, a equipe foi embora e já são 15 dias sem meu filho. Era importante ter mais pessoas, gente que conheça de drone e venha com espingarda e facão, pois a floresta é muito grande. Até chegar em dos rios que ele pode ter saído, é cerca de 185 km, estamos muito preocupados”, concluiu.
Com informações do G1 Acre.