Ícone do site YacoNews

Caso Maiko reacende debate sobre uso de coquetéis injetáveis

Foto: Reprodução.

A morte de Maiko Oliveira França, de 31 anos, em Tarauacá, no interior do Acre, trouxe à tona um debate entre profissionais da saúde sobre o uso de coquetéis vitamínicos injetáveis. Apesar das divergências, há consenso de que esse tipo de substância deve ser aplicado apenas com prescrição médica.

O caso ocorreu após o homem apresentar complicações graves dias depois de receber uma injeção intramuscular na região do glúteo. A morte foi registrada em 22 de março e está sendo investigada pelo Ministério Público do Acre (MP-AC), além de ser analisada pelo Conselho Regional de Farmácia (CRF-AC).

Para o cirurgião geral e professor da Universidade Federal do Acre (Ufac), Nilton Ghiotti, não há comprovação científica da eficácia desses coquetéis, frequentemente associados a promessas de melhora na imunidade, disposição e estética.

“Não há nenhuma evidência científica de que esses coquetéis funcionem, desta forma, não são recomendados. Em casos de deficiência vitamínica comprovada, que não ocorre em pessoas que se alimentam adequadamente, a medicação deve ser prescrita pelo médico”, disse.

Segundo o médico, o uso em pessoas saudáveis pode trazer riscos relevantes, como reações anafiláticas — potencialmente fatais — e quadros de hipervitaminose, que podem sobrecarregar órgãos como os rins.

“Nada supera uma dieta equilibrada com verduras, legumes, frutas, proteínas como carnes, ovos, leite e as gorduras boas, como o azeite, castanhas, abacate e principalmente fazer atividades físicas regularmente, pelo menos 40 minutos por três vezes na semana”, concluiu.

Por outro lado, a presidente do CRF-AC, Larissa Botelho, ressalta que a aplicação de medicamentos injetáveis em farmácias é permitida, desde que respeitadas normas sanitárias e com atuação de profissionais habilitados.

“Podem ser aplicados em farmácias, sim, por farmacêuticos ou profissionais habilitados, desde que o local tenha estrutura adequada e autorização sanitária. No entanto, é obrigatória a apresentação de prescrição médica para esse tipo de aplicação”, destacou.

Ela também alerta para os riscos do uso sem orientação adequada, mesmo diante da regulamentação vigente no país.

“O mais seguro é sempre buscar avaliação médica antes de iniciar qualquer tipo de suplementação injetável”, concluiu a farmacêutica.

De acordo com familiares, Maiko procurou uma farmácia no dia 18 de março após sentir tonturas. No local, pediu orientação e, após sugestão de uma atendente, decidiu aplicar um coquetel vitamínico.

A aplicação teria sido feita por uma mulher apontada como filha dos proprietários do estabelecimento. Ainda segundo relatos, a medicação foi administrada mesmo após o paciente demonstrar resistência inicial.

“Ele perguntou qual era o remédio bom para tontura. Ela disse que era bom ele tomar um coquetel. Ele até disse que não ia tomar, mas ela insistiu e acabou aplicando nele”, contou ao g1 Raimunda Cristiana, de 32 anos, prima da vítima.

Nos dias seguintes, o estado de saúde se agravou. Maiko retornou ao local no dia 19 com dores intensas e recebeu apenas um spray analgésico. Já no dia 20, com piora dos sintomas, incluindo hematomas e dor severa, buscou atendimento hospitalar.

Ele permaneceu internado em Tarauacá por dois dias e, devido à gravidade, foi transferido de avião para Cruzeiro do Sul. O paciente chegou ao Hospital Regional do Juruá em estado crítico e morreu no dia 22 de março.

A causa da morte foi identificada como sepse associada à fasciíte necrosante, uma infecção grave que se dissemina rapidamente e pode levar à falência de órgãos, como rins e fígado.

Maiko deixou três filhos, de 10 e 8 anos, além de um bebê de um mês, e uma companheira com quem mantinha união estável há mais de dez anos. O MP-AC instaurou procedimentos nas esferas criminal e cível para investigar o caso, enquanto o CRF-AC também apura as circunstâncias junto aos órgãos competentes.

“É uma dor muito grande na nossa família por conta de um erro de uma farmácia. A farmácia continua funcionando normalmente, como se nada tivesse acontecido, isso causa revolta. Deveria ter pelo menos luto pela nossa família”, completou a prima.

Com informações do G1 Acre.

Sair da versão mobile