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Cheia do Rio Abunã atinge 100 famílias e bloqueia acesso à Bolívia

Foto: Reprodução.

A elevação do Rio Abunã já impacta mais de 100 famílias em Plácido de Castro, no interior do Acre, após o manancial ultrapassar a cota de transbordo e causar alagamentos em comunidades rurais e bairros da cidade.

Na manhã desta terça-feira (7), o nível do rio chegou a 12,93 metros, ficando 33 centímetros acima da cota de transbordo, que é de 12,60 metros. A cheia atingiu ao menos três comunidades e provocou prejuízos, principalmente na zona rural.

De acordo com a Defesa Civil Municipal, duas famílias precisaram deixar suas casas na área urbana, mas foram acolhidas por parentes e amigos. Até o momento, não há registro de desabrigados.

Em entrevista, o coordenador da Defesa Civil, sargento Henre Bezerra, explicou que o rio começou a subir ainda no início de março, oscilou ao longo do mês e voltou a crescer no fim do período, até transbordar.

Segundo ele, o maior nível registrado foi de 13,64 metros, na última sexta-feira (3). As comunidades Mendes Carlos, Ramal da Maloca e Cabo Severino estão entre as mais afetadas.

“A maior parte afetada é a zona rural, que deixa as famílias isoladas, contudo, estamos fazendo o atendimento com água mineral e cestas básicas para as famílias. Os impactos ainda estão sendo levantados, mas até o momento têm para mais de 100 famílias entre a zona rural e urbana”, confirmou.

Com o isolamento das áreas, parte da produção agrícola foi perdida, já que os produtores não conseguem escoar os alimentos.

Além dos alagamentos, a cheia também comprometeu o acesso à Bolívia. A ponte sobre o Igarapé Rapirrã, que liga à Vila Evo Morales, está interditada para veículos desde o fim de março.

Nesta terça (7), uma vistoria técnica realizada por engenheiros do Departamento de Estradas e Rodagem do Acre (Deracre) confirmou que a estrutura deve permanecer fechada até a redução do nível das águas.

“A travessia está liberada apenas para pedestres e ciclistas, devido ao colapso identificado no balancinho e na transversina da estrutura. A interdição permanecerá até que as águas baixem e uma nova avaliação seja feita”, disse a Defesa Civil.

Ainda conforme Henre Bezerra, o bloqueio deve impactar diretamente trabalhadores brasileiros que dependem do comércio na Bolívia.

“Muitas famílias brasileiras dependem do comércio boliviano e isso acaba dificultando o acesso. Liberamos a passagem a pé e de bicicleta já pensando na classe trabalhadora”, concluiu.

O volume de chuvas registrado entre a última quarta-feira (1º) e sexta-feira (3), que chegou a cerca de 280 milímetros, agravou a situação no município.

Diante do cenário, o governo do Acre decretou situação de emergência em Plácido de Castro e em outros cinco municípios afetados pelas cheias.

“A situação de inundação atual é caracterizada por um aumento significativo e exponencial dos níveis dos rios Purus, Tarauacá, Envira, Juruá, Iaco e Abunã, acarretando custos consideráveis para a população vulnerável, bem como despesas operacionais associadas às medidas de resposta”, detalha parte da medida.

O decreto tem validade de 180 dias e ainda deve ser reconhecido pelo governo federal, além de permitir a adoção de ações emergenciais durante o período.

Com informações do G1 Acre.

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