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Estudantes arriscam travessia a pé em ponte danificada no Acre

Foto: Jhenyfer de Souza/G1.

A ponte sobre o Igarapé Rapirrã, que conecta o município de Plácido de Castro, no Acre, à Vila Evo Morales, na Bolívia, permanece interditada para veículos após danos causados pela cheia do Rio Abunã. A travessia segue liberada apenas para pedestres e ciclistas, o que tem exposto moradores e estudantes a riscos diários.

A interdição foi determinada por órgãos estaduais e municipais após uma vistoria técnica apontar comprometimento em partes da estrutura. Segundo a Defesa Civil, o bloqueio ocorre devido a problemas no balanço e na transversina da ponte, elementos essenciais para sua sustentação.

Mesmo com a restrição, estudantes que atravessam a fronteira para cursar medicina na Bolívia continuam utilizando a passagem a pé. Muitos relatam preocupação com a segurança durante o trajeto.

Osvaldo Junior, de 39 anos, contou que precisa sair de Rio Branco ainda de madrugada para conseguir chegar à faculdade. “Para chegar a pé [na faculdade] é em média de 20 minutos, andando rápido. Há um desgaste maior e fora o risco, porque se ela foi interditada, é porque corre o risco de acidente com pedestre. A gente tem que ir, porque tem que estudar, mas é nesse risco diário”, relatou.

A estudante Alexandria Jardim também descreveu as dificuldades enfrentadas ao longo do percurso, que começa em Senador Guiomard, a cerca de 73 quilômetros de Plácido de Castro. “Às vezes a gente pega chuva, tem estrada de barro, então chegamos sujos na faculdade, atrasados. Sem contar que percorremos todo o caminho, passa por estrada esburacada, chega aqui e tem que passar por isso. No começo, a gente sabia que estava sujeito a esse risco, sempre tem essas alagações, eles seguram [a ponte] com corda, a esperança é que elas não quebrem”, disse ao se referir às amarrações improvisadas usadas para reforçar a estrutura.

Sem a passagem de veículos, os estudantes têm recorrido a alternativas improvisadas para completar o trajeto. Segundo relatos, do lado boliviano há transporte pago para levar alunos até a universidade, muitas vezes em veículos com carroceria.

“Tem alunos que pagam para ir até a faculdade, vão em pé atrás de carro. O ramal não dá acesso por causa da lama”, contou a estudante Amanda Vitória, moradora de Plácido de Castro.

A interdição também tem provocado impactos econômicos na região. Comerciantes do lado boliviano relatam queda no movimento desde a restrição do tráfego.

O empresário Ruan Sousa afirma que a situação prejudica diretamente o comércio local. “O comércio fica prejudicado porque tanto Bolívia quanto Brasil precisam um do outro. Quando os carros passam, a ponte treme, é perigoso. É necessário fazer uma intervenção”, afirmou.

A situação ocorre em meio à elevação do nível do Rio Abunã, que atingiu 12,93 metros na última terça-feira (7), superando em 33 centímetros a cota de transbordo. Pelo menos três comunidades foram alagadas, afetando mais de 100 famílias.

Na zona urbana, duas famílias precisaram deixar suas casas e foram acolhidas por parentes e amigos. Até o momento, não há registro de pessoas desabrigadas.

Entre os dias 1º e 3 de abril, o município registrou cerca de 280 milímetros de chuva, o que levou o governo do estado a decretar situação de emergência em Plácido de Castro e outros cinco municípios. O maior nível do rio registrado recentemente na cidade foi de 13,64 metros, na última sexta-feira (3).

Na terça-feira (7), engenheiros do Deracre realizaram nova vistoria na ponte e mantiveram a recomendação de interdição para veículos. Segundo os órgãos responsáveis, a liberação só será avaliada após a redução do nível da água e uma nova análise técnica da estrutura.

O prefeito de Plácido de Castro, Camilo da Silva (PP), afirmou que a prefeitura acompanha a situação e presta assistência às famílias afetadas pela cheia. “Essa semana nós tivemos desse lado de cá, que é do Rapirrã, onde a ponte foi extremamente comprometida. A enchente, pela primeira vez, quase banhou a ponte. E aí nós tivemos a comunidade boliviana que nos procurou pedindo socorro e entramos em contrato com o Deracre que designou uma equipe especializada que veio avaliar a ponte e achou por bem interditar até que haja uma vazante para fazer uma avaliação melhor, temendo que um risco maior pudesse acontecer”, complementou.

O presidente da comunidade boliviana, Rodolfo Encinas, também demonstrou preocupação com a situação. “Nós, moradores de Puerto Evo Morales, Montevidéu e da comunidade de Montevidéu, estamos muito preocupados porque dependemos desta ponte para o nosso sustento. Recebemos turistas e estudantes que vêm à universidade e precisam atravessá-la a pé, o que nos preocupa. Esperamos que este problema com a ponte seja resolvido em breve”, disse.

Com informações do G1 Acre.

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