Com a redução do nível do Rio Juruá, famílias desabrigadas pela enchente em Cruzeiro do Sul iniciaram o retorno para suas casas nesta quarta-feira, 8. Ao todo, 39 famílias que estavam abrigadas em escolas municipais deixaram os locais durante a tarde.
De acordo com a Defesa Civil, 34 famílias indígenas saíram da Escola Estadual Cívico-Militar Madre Adelgundes Becker, no bairro Miritizal, enquanto outras cinco deixaram a Escola Padre Arnoud, na AC-405, no bairro Nossa Senhora das Graças. No total, mais de 150 pessoas conseguiram retornar para suas residências.
Mesmo ainda acima da cota de transbordo, fixada em 13 metros, o rio apresentou queda e atingiu 13,30 metros às 18h. A vazante possibilitou o início da desmobilização dos abrigos, embora 23 famílias ainda permaneçam acolhidas.

Na saída, os moradores receberam sacolões e kits de limpeza distribuídos pela prefeitura. A ação faz parte do apoio emergencial às vítimas da enchente, que afetou milhares de pessoas no município.
Segundo dados atualizados, cerca de 28.350 moradores foram impactados direta ou indiretamente pela cheia, o que representa 7.087 famílias em 12 bairros urbanos, além de 15 comunidades rurais e três vilas. Diante da situação, o governo do Acre decretou estado de emergência no último domingo, 5.
A enchente começou a se agravar no fim de março, quando o rio ultrapassou a cota de transbordo e permaneceu acima do nível crítico por mais de uma semana. Na última sexta-feira, 3, o manancial chegou a 14,10 metros, com quase 20 mil pessoas afetadas naquele momento. Esta é a quarta vez que o rio transborda somente neste ano.
Durante o período mais crítico, 59 famílias foram levadas para abrigos públicos e outras três ficaram em casas de parentes. Nos locais de acolhimento, foram oferecidas refeições diárias e atendimento social. Também houve suspensão no fornecimento de energia elétrica para 186 famílias, além da interrupção no abastecimento de água potável em áreas atingidas.
Para amenizar os impactos, a Defesa Civil intensificou a distribuição de água mineral, com mais de 4,4 mil galões entregues em bairros e comunidades afetadas. A ação deve continuar até o fim da semana, como alternativa para garantir água segura às famílias.
”Vários bairros já foram contemplados, como o Miritizal,Lagoa, Boca do Moa, Estirão do Remanso, Olivença, Humaitá do Moa e demais comunidades afetadas pela inundação. A entrega de água potável vai se estender até o final desta semana com as equipes da Defesa Civil e do Corpo de Bombeiro”, informou o coordenador da Defesa Civil, Júnior Damasceno.
Além de Cruzeiro do Sul, o decreto estadual de emergência também abrange outros municípios afetados pelas cheias, como Feijó, Mâncio Lima, Rodrigues Alves, Tarauacá e Plácido de Castro. A medida ainda será analisada pelo governo federal.
Historicamente, o período de cheias na região ocorre entre o fim de fevereiro e o início de março, mas registros também indicam ocorrências ao longo de abril. Neste ano, o município já enfrentou outros episódios de inundação, com milhares de famílias atingidas em diferentes momentos.
Com informações do G1 Acre.