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Jovem vence batalha pelo BPC e expõe desafios do sistema

Foto: Cedida.

Após enfrentar um processo marcado por dificuldades e espera, o jovem ativista Samoel Andrade, de 27 anos, teve o direito ao Benefício de Prestação Continuada (BPC/LOAS) garantido após reavaliação. A confirmação foi divulgada neste sábado (11), em Sena Madureira.

Pessoa com deficiência física e na voz, Samoel compartilhou a conquista nas redes sociais, destacando o alívio com o resultado e as reflexões geradas ao longo do processo. “Hoje venho aqui com o coração cheio de gratidão, mas também com muita reflexão. Depois de dias de ansiedade, espera, viagens cansativas e momentos difíceis, eu finalmente recebi o resultado no meu INSS… e graças a Deus, deu tudo certo. Fui aprovado”, declarou.

De acordo com o relatório, o jovem atende a todos os critérios exigidos por lei, com reconhecimento de impedimento de longo prazo após avaliação social e perícia médica.

Foto: Cedida.

Apesar da vitória, ele ressaltou os obstáculos enfrentados, como deslocamentos entre Sena Madureira e Rio Branco, realização de exames e longos períodos de espera, que geraram desgaste físico e emocional. Em um dos relatos, antes da perícia, destacou: “Não é apenas o cansaço físico da estrada. É o peso emocional de ter que provar, mais uma vez, uma realidade que já é permanente. É como se a cada perícia, a nossa própria vida fosse colocada em dúvida.”

Após o atendimento, o ativista reconheceu o acolhimento recebido, mas manteve o alerta sobre a tensão do processo. “Graças a Deus, fui bem tratado. A médica foi respeitosa e atenciosa. Ainda não tinha o resultado, mas saí com esperança.”

A trajetória teve início ainda em dezembro de 2025, quando passou a enfrentar bloqueios no benefício e exigências burocráticas. Durante esse período, contou com o apoio da Rede Observatório BPC, familiares e aliados.

Foto: Cedida.

Ao comentar a aprovação, Samoel ampliou o debate sobre as dificuldades enfrentadas por outras pessoas. “Se pra mim, que tive apoio da minha mãe, da minha família e de pessoas que me orientaram, já foi difícil… imagina para quem não tem ninguém.”

Ele também criticou a burocracia e a falta de acesso à informação. “O sistema muitas vezes é frio, distante da realidade. Exige força de quem já está cansado, exige paciência de quem já está no limite.”

A mãe, Zenaide Andrade, foi apontada como apoio fundamental durante todo o processo, acompanhando o filho em viagens e momentos decisivos.

Foto: Cedida.

Mesmo celebrando a conquista, o ativista reafirmou o compromisso com a defesa dos direitos das pessoas com deficiência e com a construção de políticas públicas mais acessíveis. “Hoje eu celebro. Mas amanhã sigo na luta. Porque isso não é só sobre mim. Nunca foi. É sobre milhares de pessoas que vivem essa realidade todos os dias.”

A experiência, segundo ele, reforça a importância de ampliar o debate sobre inclusão e facilitar o acesso a direitos sociais, diante da realidade enfrentada por milhares de brasileiros.

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